Pequenos produtores representam 54% da cafeicultura brasileira
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Os preços internacionais do café encerraram a última semana em alta nas bolsas de Nova York e Londres, impulsionados por uma combinação de correção técnica, estoques reduzidos e atraso na colheita brasileira. A avaliação é de Leonardo Rossetti, da StoneX.
Segundo o analista, os contratos futuros avançaram cerca de 2% em Nova York e 2,7% em Londres após as fortes perdas observadas na semana anterior, quando os preços do arábica atingiram os menores níveis em aproximadamente um ano e meio.
Outro fator de sustentação veio da queda dos estoques certificados, que recuaram de cerca de 650 mil para 600 mil sacas. Para Rossetti, o volume segue historicamente baixo e contribui para manter suporte aos preços no curto prazo.
No Brasil, o atraso da colheita também mantém o mercado atento. Estimativas da StoneX apontam que os trabalhos alcançaram cerca de 14% da área até o momento, abaixo da média histórica de 21% para o período. O cenário mantém o mercado de arábica relativamente apertado.
O principal destaque da semana, porém, foi a divulgação das primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27 em importantes países produtores.
Entre os números divulgados, o Vietnã deve produzir 32,5 milhões de sacas, alta de 2,5% em relação à temporada anterior. A Colômbia, por sua vez, deve alcançar 13,4 milhões de sacas, avanço de 7%. Já a Indonésia teve a estimativa revisada para baixo, para 11,3 milhões de sacas, devido aos impactos climáticos associados ao excesso de chuvas.
De acordo com Rossetti, o consolidado parcial do USDA aponta crescimento global de 1,7% na produção de café na comparação anual, em linha com as projeções da StoneX, que também indicam recuperação da oferta mundial e um superávit próximo de 10 milhões de sacas na temporada 2026/27.
Apesar disso, o mercado segue atento às estimativas para o Brasil, ainda não divulgadas pelo USDA e consideradas decisivas para a formação dos preços nas próximas semanas.
O analista destaca ainda que um dos pontos que mais chamou atenção nos dados do USDA foi a previsão de queda de 11% nos estoques finais globais, mesmo diante do aumento da produção em diversos países.
Na avaliação da StoneX, o mercado caminha para uma recomposição dos estoques mundiais, mas de forma desigual, com o Brasil concentrando parcela maior desse volume em relação aos anos anteriores. Esse cenário pode provocar distorções regionais e períodos pontuais de aperto na oferta, mantendo a volatilidade elevada.
Rossetti também observa que o USDA projeta estoques finais menores em importantes produtores, como Vietnã, Colômbia, Etiópia, Uganda e Índia, indicando demanda global ainda resiliente.
Mesmo com expectativa de superávit global e preços médios inferiores aos registrados no ano passado, os estoques mais apertados podem continuar oferecendo sustentação ao mercado, especialmente conforme forem divulgadas as próximas estimativas para a safra brasileira.
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