Pequenos produtores representam 54% da cafeicultura brasileira

Levantamento do Sebrae mostra maior concentração de pequenos negócios em estados fora do Sudeste

25.05.2026 | 17:27 (UTC -3)
Rafael Baldo, edição Revista Cultivar

Mais da metade dos produtores brasileiros de café é formada por pequenos negócios. Levantamento inédito do Sebrae aponta que 54% dos cafeicultores do país atuam em propriedades com menos de 20 hectares. Os produtores de médio porte representam 38% do total, enquanto os grandes correspondem a 8%.

A pesquisa foi elaborada com base na Pesquisa Nacional de Segmentação dos Produtores de Café e ouviu 1.102 produtores em 14 estados. Segundo o estudo, o perfil predominante entre os pequenos produtores é de agricultores com média de 49 anos de idade e cerca de 21 anos de experiência na atividade.

O levantamento indica diferenças regionais no perfil da cafeicultura. Minas Gerais e São Paulo concentram maior participação de produtores de médio porte, enquanto estados fora do Sudeste apresentam predominância de pequenos negócios. Rondônia lidera esse grupo, com 87% dos produtores classificados como pequenos, seguido por Acre (83%) e Goiás mais Distrito Federal (76%).

Avanço na escolaridade

Os dados também mostram avanço da escolaridade entre os cafeicultores. Mais da metade dos entrevistados possui pelo menos o ensino médio completo. Em estados como Goiás, Distrito Federal, Paraíba, São Paulo e Minas Gerais, há maior presença de produtores com ensino superior e pós-graduação.

Entre os entrevistados de Goiás e Distrito Federal, 47% possuem ensino superior e 29% têm pós-graduação. Na Paraíba, 53% declararam ensino superior e 11% pós-graduação. Em São Paulo, os percentuais são de 40% e 11%, respectivamente, enquanto em Minas Gerais chegam a 45% e 8%.

Os homens representam 79% dos produtores entrevistados, enquanto as mulheres correspondem a 21%. A geração X, formada por pessoas entre 41 e 56 anos, concentra 41% dos cafeicultores. Os chamados boomers, acima de 57 anos, somam 29%, e os millennials, entre 25 e 40 anos, representam 27%. A geração Z, de 18 a 24 anos, corresponde a 3%.

Produção de cafés especiais apresenta crescimento

O levantamento também aponta crescimento da produção de cafés especiais e da busca por certificações. Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados afirmaram produzir cafés especiais. Além disso, 27% já possuem certificações socioambientais e outros 29% pretendem obter algum tipo de certificação.

Indicações Geográficas também avançam

Outro destaque é o avanço das indicações geográficas (IGs) ligadas ao café. Atualmente, o Brasil possui 23 IGs para cafés, todas com apoio do Sebrae. Entre os estados pesquisados, São Paulo apresenta a maior adesão às certificações e reconhecimentos de origem, com 44% dos produtores entrevistados, seguido por Minas Gerais, com 35%.

Segundo a analista de Competitividade do Sebrae, Carmen Sousa, o fortalecimento da gestão e das práticas sustentáveis tem contribuído para ampliar o reconhecimento da qualidade do café brasileiro no mercado.

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