PR Safra 2025/26: preços freiam avanço do trigo

Cotações baixas, cenário internacional e crescimento da área com milho pressionam cultura no estado

05.02.2026 | 15:36 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Deral

A área de trigo no Paraná não deve apresentar crescimento em 2026, pressionada principalmente pela queda nos preços do cereal e pela forte concorrência com a segunda safra de milho. De acordo com Departamento de Economia Rural (Deral) no Boletim Conjuntural da Semana 06/2026, os valores pagos ao produtor recuaram 14% em relação ao início de 2025, reduzindo significativamente a atratividade da cultura.

Conforme Carlos Hugo Winckler Godinho, engenheiro agrônomo e coordenador da divisão de conjuntura do Deral, a saca de trigo foi comercializada, em média, a R$ 62,19 no estado no mês de janeiro. Nesse patamar, o preço equivale a um custo aproximado de 56 sacas por hectare, praticamente o mesmo nível da produtividade média registrada em 2025, de 57 sacas por hectare. O cenário deixa margens extremamente apertadas, inclusive em regiões mais tecnificadas. Na regional de Ponta Grossa, por exemplo, a média de 56 sacas por hectare foi superada em apenas três das últimas dez safras.

Além da rentabilidade limitada, o avanço do milho segunda safra reduz o espaço para o trigo. O plantio do cereal de verão já alcança 12% da área estimada de 2,84 milhões de hectares para a safra 2025/26, que, se confirmada, representará um novo recorde estadual. Mesmo com ritmo de semeadura abaixo do esperado, em função do alongamento do ciclo das culturas de verão, a projeção é de manutenção dessa área, sem abertura significativa para expansão do trigo.

A relação de preços entre as duas culturas também desfavorece o cereal de inverno. Atualmente, os valores do trigo estão apenas 15% acima dos do milho, quando, segundo estimativas técnicas, essa diferença deveria se aproximar de 80% para tornar o trigo mais competitivo. Nem mesmo o melhor preço dos últimos 12 meses, registrado em junho de 2025 (R$ 79,99 por saca), alcançou esse patamar.

O ambiente de oferta confortável também pesa sobre as cotações. Em 2025, os moinhos paranaenses importaram 879 mil toneladas de trigo em grão — o maior volume da história —, aproveitando os preços internacionais mais baixos. Esse volume se soma à produção estadual de 2,8 milhões de toneladas, à safra elevada da Argentina e a um recorde de produção mundial, fortalecendo a posição dos compradores.

Segundo o boletim, as perspectivas indicam poucas chances de recuperação relevante nos preços até o encerramento do plantio. No curto prazo, um dos únicos fatores capazes de provocar mudanças é a volatilidade cambial. Embora o real esteja valorizado atualmente, eventuais desdobramentos das tensões geopolíticas globais podem alterar o comportamento do câmbio e, consequentemente, dos preços do trigo.

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