Planeta registra terceiro ano mais quente em 2025

Relatório do Copernicus aponta média de 14,97°C no planeta, recordes nos polos, oceanos aquecidos e aumento de eventos extremos

19.02.2026 | 13:47 (UTC -3)
Revista Cultivar

O ano de 2025 fechou como o terceiro mais quente já registrado no planeta. A temperatura média global alcançou 14,97°C. O valor ficou 0,59°C acima da média de 1991-2020 e 1,47°C acima do nível pré-industrial. Os dados constam no relatório Global Climate Highlights 2025, do Copernicus Climate Change Service (C3S).

O ranking coloca 2025 atrás apenas de 2024 e 2023. Os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, ocupam as 11 primeiras posições entre os mais quentes da série histórica. A média do triênio 2023–2025 superou 1,5°C acima do nível pré-industrial pela primeira vez, embora 2025 isoladamente não tenha ultrapassado esse limite.

As temperaturas do ar ficaram acima da média em 91% da superfície do planeta. Quase metade da Terra registrou condições muito mais quentes que o padrão. Janeiro de 2025 entrou como o mais quente já observado para o mês.

Nos polos, os desvios chamaram atenção. A Antártica registrou anomalia anual de +1,06°C, a maior da série. O Ártico marcou +1,37°C, o segundo maior valor já medido. Na Europa, a temperatura média atingiu 10,41°C. O número superou em 1,17°C a média de 1991–2020 e garantiu o terceiro lugar entre os anos mais quentes no continente.

Superfície do mar

A temperatura da superfície do mar também permaneceu elevada. A média anual fora das regiões polares chegou a 20,73°C. O valor ficou 0,38°C acima da média de 1991-2020 e ocupou a terceira posição no ranking histórico. O relatório aponta 2025 como o ano de La Niña mais quente já registrado tanto para a temperatura do ar quanto para a dos oceanos.

O gelo marinho manteve níveis próximos aos mínimos históricos. No Ártico, a extensão mensal atingiu recordes de baixa entre dezembro de 2024 e março de 2025. Em março, o máximo anual marcou o menor nível em 47 anos de monitoramento por satélite. Na Antártica, a cobertura caiu rápido e alcançou o quarto menor mínimo anual em fevereiro. A combinação resultou na menor extensão global de gelo marinho já registrada para um mês desde o fim da década de 1970.

Eventos extremos

Eventos extremos marcaram o ano. Chuvas intensas provocaram enchentes nos Estados Unidos, na China e na Coreia do Sul. O derretimento de geleiras gerou inundações no Paquistão e na Índia. Dados preliminares indicam 103 tempestades tropicais no mundo em 2025. Destas, 50 alcançaram força de ciclone tropical e 20 evoluíram para grandes ciclones.

Ondas de calor atingiram Ásia, América do Norte, África e Europa. Secas prolongadas e calor extremo ampliaram incêndios florestais na Europa e na América do Norte. Segundo o Copernicus Atmosphere Monitoring Service, a Europa registrou o maior volume anual de emissões por queimadas das últimas duas décadas.

O relatório indica aquecimento aproximado de 1,4°C acima do nível pré-industrial até o fim de 2025. O documento reforça a redução da margem até o limite de 1,5°C previsto no Acordo de Paris. O Copernicus defende monitoramento contínuo para orientar decisões baseadas em dados.

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