PIB do agronegócio recua 2,01% no primeiro trimestre de 2026

Setor agrícola puxou a retração, pressionado pela queda dos preços das commodities, avalia CNA

07.08.2026 | 10:30 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), realizado em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O resultado dá continuidade à tendência de desaceleração iniciada no quarto trimestre de 2025, quando o indicador interrompeu a sequência de crescimento registrada até o terceiro trimestre daquele ano. Apesar da reversão, o agronegócio encerrou 2025 com expansão acumulada, sustentada pelo desempenho positivo dos primeiros nove meses.

A retração no início de 2026 foi impulsionada principalmente pelo ramo agrícola, cujo PIB caiu 3,62%. Em contraste, o ramo pecuário registrou crescimento de 0,70%.

Na análise por segmentos, todos apresentaram queda no período: insumos (-2,15%), segmento primário (-4,15%), agroindústria (-1,03%) e agrosserviços (-1,25%).

Segundo o Cepea e a CNA, o desempenho do segmento de insumos foi afetado pela redução dos preços nas indústrias de defensivos, máquinas agrícolas e rações. No segmento primário agrícola, a queda de 5,72% refletiu a expectativa de menor valor da produção em 2026. Embora culturas como soja, café e cana-de-açúcar devam registrar aumento na produção, a desvalorização dos preços mais do que compensou esse avanço.

Na pecuária, o segmento primário recuou 1,77%. Apesar da perspectiva de crescimento da produção nas atividades acompanhadas, a redução dos preços também pressionou o valor da produção.

A agroindústria registrou retração de 1,03%, influenciada principalmente pelas atividades de base agrícola (-2,31%), com destaque para as indústrias de café e açúcar. Já a agroindústria de base pecuária avançou 1,93%, favorecida pela redução mais intensa dos custos com consumo intermediário.

Nos agrosserviços, o comportamento acompanhou o desempenho das cadeias produtivas. Enquanto os serviços ligados à agricultura recuaram 3,40%, os vinculados à pecuária cresceram 1,86%, impulsionados pela expectativa de maior demanda por transporte, comércio e demais serviços associados ao aumento da produção.

Participação do agro deve diminuir

Com base no desempenho do primeiro trimestre, a projeção do Cepea e da CNA é que o PIB do agronegócio brasileiro alcance R$ 3,13 trilhões em 2026, sendo R$ 1,88 trilhão provenientes do ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão da pecuária.

A participação do agronegócio na economia brasileira deverá ficar em aproximadamente 22,8% neste ano, abaixo dos 25,2% registrados em 2025. A redução é atribuída, principalmente, ao impacto da queda dos preços sobre o valor gerado pelas diferentes cadeias produtivas, mesmo diante da expectativa de crescimento da produção em importantes atividades do setor.

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