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Cientistas identificaram uma bactéria patogênica capaz de explorar o sistema simbiótico de percevejos e matar o hospedeiro. O microrganismo, chamado Burkholderia sp. SJ1, usa uma rota semelhante à de bactérias benéficas para alcançar o órgão simbiótico intestinal. Depois, prolifera, rompe o tecido intestinal, chega à hemolinfa e causa sepse. A mortalidade chegou a quase 100 por cento em até dez dias (DOI 10.1073/pnas.2533244123).
O estudo analisou a simbiose entre o percevejo Riptortus pedestris e a bactéria Caballeronia insecticola. Nessa relação, o inseto obtém microrganismos do solo e os abriga em um órgão em forma de saco, localizado na região posterior do intestino. Esses simbiontes auxiliam funções nutricionais essenciais para sobrevivência, crescimento e reprodução do inseto.
A bactéria Burkholderia sp. SJ1 imita parte desse processo. Ela entra pelo intestino a partir do solo. Em seguida, usa o mesmo modo de “motilidade por envolvimento” empregado pelos simbiontes para atravessar barreiras de seleção do hospedeiro e colonizar o órgão simbiótico.
A diferença aparece após a colonização. Enquanto os simbiontes mantêm a associação mutualística, o patógeno resiste à digestão pelo hospedeiro, multiplica-se de forma anormal e invade o organismo. Segundo os pesquisadores, a colonização do órgão simbiótico tem papel essencial na letalidade.
A descoberta indica uma possível rota para o desenvolvimento de pesticidas biológicos com alta especificidade.
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