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Óleos essenciais de gengibre e escova-de-garrafa apresentaram os resultados mais relevantes em testes contra formigas-cortadeiras e seu fungo simbionte. Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa avaliaram cinco óleos vegetais contra operárias de Atta sexdens e Acromyrmex subterraneus, além do fungo Leucoagaricus gongylophorus, base nutricional das colônias. Os dados indicam potencial para novas estratégias de controle, mas também mostram necessidade de ajustes antes de uso em iscas tóxicas (DOI: 10.3390/insects17060645).
A pesquisa avaliou óleos essenciais de salgueiro-chorão (Salix babylonica), pitanga (Eugenia uniflora), escova-de-garrafa (Melaleuca viminalis), gengibre (Zingiber officinale) e pimenta-do-reino (Piper nigrum). A equipe caracterizou os compostos por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas. Os perfis químicos apresentaram predominância de mono e sesquiterpenos.
O óleo de escova-de-garrafa teve predominância de 1,8-cineol, com 75,77 por cento da área relativa, seguido de alfa-pineno, com 17,32 por cento. O óleo de gengibre apresentou cânfeno, com 34,93 por cento, beta-felandreno, com 27,91 por cento, e alfa-pineno, com 11,86 por cento. O óleo de pimenta-do-reino apresentou cis-cariofileno, limoneno e beta-pineno como principais constituintes.
Os cientistas separaram as operárias em forrageadoras e jardineiras. As forrageadoras coletam e transportam material vegetal até o ninho. As jardineiras mantêm o jardim de fungo. Essa separação teve papel central no estudo, pois uma isca eficiente precisa chegar ao interior da colônia antes de provocar efeito letal. Assim, a baixa toxicidade contra forrageadoras pode favorecer o transporte da isca.
Nos bioensaios com Acromyrmex subterraneus, as forrageadoras responderam de forma significativa aos óleos de pimenta-do-reino e gengibre. Os óleos de salgueiro-chorão, escova-de-garrafa e pitanga não produziram efeito dependente da concentração nesse grupo. Entre as jardineiras da mesma espécie, quase todos os óleos alteraram a sobrevivência. A exceção ocorreu com escova-de-garrafa.
Em Atta sexdens, os efeitos sobre forrageadoras permaneceram baixos nas concentrações avaliadas. Não houve relação consistente entre concentração e mortalidade. Entre as jardineiras, os óleos de escova-de-garrafa, pimenta-do-reino e pitanga reduziram a sobrevivência. O óleo de escova-de-garrafa apresentou toxicidade marcada para jardineiras de Atta sexdens a partir de 0,10 miligrama por mililitro, com menor efeito sobre forrageadoras.
Os resultados reforçam a importância de mirar componentes funcionais da colônia. O controle de formigas-cortadeiras depende da desorganização do sistema social, não apenas da morte de indivíduos expostos. A colônia mantém sua sobrevivência por meio da associação com Leucoagaricus gongylophorus. As jardineiras cuidam desse fungo e sustentam a nutrição do ninho.
O fungo simbionte respondeu de forma clara aos óleos essenciais no ensaio inicial com 100 miligramas por mililitro. Todos os óleos reduziram área de crescimento e massa seca em comparação ao controle. O controle apresentou área média próxima de 150 centímetros quadrados. Os óleos de gengibre e escova-de-garrafa suprimiram totalmente o desenvolvimento micelial nessa concentração.
O óleo de pitanga causou inibição parcial, com área média de crescimento próxima de 20 centímetros quadrados. Os óleos de salgueiro-chorão e pimenta-do-reino provocaram reduções moderadas, com áreas médias próximas de 50 e 80 centímetros quadrados, respectivamente.
Após o ensaio inicial, os pesquisadores testaram gengibre e escova-de-garrafa em diferentes concentrações. O óleo de gengibre manteve resposta dependente da concentração e reduziu área de crescimento e massa seca acima de 10 miligramas por mililitro. O óleo de escova-de-garrafa não manteve efeito significativo dependente da concentração nessa etapa.
O estudo aponta duas frentes de interesse. O óleo de gengibre mostrou maior ação fungicida em concentrações altas. O óleo de escova-de-garrafa mostrou toxicidade seletiva contra jardineiras de Atta sexdens e forte inibição do fungo no ensaio inicial. Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que os efeitos não ocorreram de forma ampla entre todos os óleos e alvos biológicos.
A pesquisa também ressalta limites práticos. A mortalidade de jardineiras raramente passou de 50 por cento após sete dias. Esse patamar fica abaixo da eficácia esperada para produtos convencionais. Por isso, os óleos avaliados não surgem como substitutos diretos de ingredientes ativos usados em iscas. Eles aparecem como candidatos para formulações, frações purificadas, combinações sinérgicas ou aditivos com ação sobre o fungo.
Os pesquisadores destacam outro ponto técnico. Óleos essenciais têm composição variável. Extração, armazenamento, temperatura, luz e estágio fenológico da planta podem alterar o perfil químico. No caso da escova-de-garrafa, a volatilidade e a possível degradação de 1,8-cineol e alfa-pineno podem explicar diferenças entre o ensaio inicial e a etapa de dose-resposta.
O trabalho conclui que a toxicidade seletiva por casta e a supressão do fungo podem ocorrer com compostos vegetais. Porém, esse efeito não aparece de forma generalizada entre óleos essenciais. A escova-de-garrafa surge como candidata para novas investigações, sobretudo sobre compostos individuais e interações sinérgicas em iscas tóxicas.
O estudo foi realizado pelos pesquisadores Andressa Graebin, Patrícia F. Pinheiro, Karina D. Amaral, Vinicius F. Santos, Tarciza F. Nascimento, Marcela V. de S. Vilela, Yenara K. M. Silva, Thais D. Marcelino e Raul Narciso C. Guedes.
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