Sorgo ganha espaço e avança como alternativa ao milho
Produção deve dobrar em cinco anos, com menor custo e maior tolerância à seca
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta, em seu Boletim Semanal do milho, que o cenário global segue marcado por incertezas geopolíticas e seus reflexos sobre o mercado de commodities, especialmente no complexo de grãos e energia.
No contrato corrente da CME Group, o milho registrou valorização de 0,51% na última semana, com média de US$ 4,64/bushel. Apesar do avanço moderado, as cotações acumulam alta de 5,30% entre os dias 1º e 27 de março, frente ao mês anterior, na Chicago Board of Trade.
Segundo o Imea, o movimento é sustentado pela liberação emergencial da comercialização do E15 durante o verão nos Estados Unidos. A medida busca conter os preços dos combustíveis, mas acaba elevando a demanda por milho destinado à produção de etanol, o que dá suporte às cotações internacionais.
Além disso, pesam no cenário as expectativas de redução na área semeada de milho nos Estados Unidos, fator que pode restringir a oferta global. A manutenção dos preços do petróleo Brent crude oil, influenciada por tensões geopolíticas e gargalos logísticos em rotas de exportação, também reforça a pressão sobre os mercados de energia e grãos.
No mercado doméstico, o destaque em Mato Grosso foi a alta de 0,94% no preço do milho, que encerrou a semana com média de R$ 46,54 por saca, impulsionado pela menor disponibilidade do grão. Em sentido oposto, a paridade do contrato jul/26 recuou 1,43%, refletindo a queda no prêmio de exportação em Santos.
Já os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam retração de 1,38% na cotação do milho no Brasil, com média semanal de R$ 70,68 por saca.
O boletim também destaca o forte ritmo da produção de etanol de milho nos Estados Unidos. Até 20 de março, a produção diária alcançou 1,12 milhão de barris, alta de 2,09% no período e 6,24% acima da média dos últimos três anos.
A Energy Information Administration (EIA) projeta produção total de 405,53 milhões de barris em 2026, indicando continuidade do ritmo elevado nas usinas norte-americanas.
O crescimento está ligado à maior demanda por combustíveis, já que o aumento no consumo de gasolina eleva a necessidade de mistura com etanol. Na última semana, o volume processado por refinarias e misturadoras avançou 1,50%, chegando a 889 mil barris por dia.
Esse cenário contribui para sustentar os preços internacionais do biocombustível em um momento em que o Brasil caminha para uma safra 2025/26 com produção recorde de etanol. Assim, a demanda aquecida nos Estados Unidos tende a amenizar a pressão de oferta global e favorecer a rentabilidade das usinas.
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