Metil jasmonato reduz danos celulares em rabanete

Aplicações foliares do regulador, todavia, não impediram perdas sob estresse hídrico severo

28.01.2026 | 08:18 (UTC -3)
Revista Cultivar

A aplicação de metil jasmonato (MeJa) reduziu os danos oxidativos em folhas de rabanete cultivado sob estresse hídrico, mas não conseguiu evitar a queda no crescimento, na fotossíntese e na qualidade fisiológica das plantas. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba.

O experimento avaliou a ação de aplicações foliares de 100 micrômetros de MeJa, realizadas aos 7, 14 e 21 dias após a semeadura, em plantas submetidas à irrigação normal (80% da capacidade de retenção de água) ou à suspensão total da irrigação entre 15 e 30 dias após a semeadura.

O déficit hídrico reduziu severamente a massa fresca e seca de folhas e raízes, além do volume das raízes, em mais de 80%. A área foliar caiu, enquanto a área foliar específica aumentou. O MeJa não evitou essas perdas. Também não houve efeito do regulador sobre a condutância estomática, assimilação de CO2 ou eficiência fotossintética. A fluorescência da clorofila (Fv/Fm) permaneceu estável em todos os tratamentos.

Extravasamento de eletrólitos

A aplicação de MeJa foi eficaz em reduzir o extravasamento de eletrólitos -- indicador de dano à membrana celular -- em plantas sob estresse, sugerindo um efeito positivo na estabilidade das membranas. No entanto, o MeJa não influenciou o teor relativo de água nas folhas, nem a eficiência no uso da água, o que limita sua contribuição à tolerância ao estresse hídrico.

O estresse aumentou os teores de açúcares redutores e não redutores nas raízes, com incrementos de até 200%, além de elevar os níveis de magnésio, fósforo e a capacidade antioxidante (método ABTS). Esses efeitos ocorreram independentemente da aplicação de MeJa. O conteúdo de compostos fenólicos não se alterou.

Luminosidade das raízes

A luminosidade das raízes foi reduzida sob seca, deixando os tecidos menos atrativos comercialmente. Ainda assim, os parâmetros de cor indicaram manutenção do tom avermelhado. As concentrações de manganês diminuíram nas plantas irrigadas tratadas com MeJa.

Segundo os autores, a concentração de 100 micrômetros de MeJa pode ter sido excessiva para a espécie, sobretudo em condições de seca severa. Ensaios com doses menores e variedades diferentes de rabanete são necessários. O solo ácido usado (pH 5,0) também pode ter interferido nos resultados, ao induzir estresse adicional.

Os resultados sugerem que, embora o MeJa atue na integridade celular e nas defesas antioxidantes, sua aplicação isolada não basta para proteger o rabanete contra déficits hídricos intensos.

A pesquisa foi realizada por Damiana J. Araujo, Vanessa A. Soares, Estephanni F. O. Dantas, Antônio N. Andrade, Cosma J. Araujo, Daniel S. Gomes, Sabrina K. Santos, Adriano S. Lopes, José E. S. Ribeiro, Valquiria C. S. Ferreira, Juliane M. Henschel, Tancredo Souza, Thiago J. Dias e Diego S. Batista.

Mais informações em doi.org/10.3390/plants15030397

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