Mercado Agrícola - 7.ago.2026

Chuvas nos EUA pressionam soja e milho; trigo ganha suporte

07.08.2026 | 08:20 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

As chuvas registradas nos Estados Unidos reduziram a pressão sobre as lavouras de soja e milho após as perdas de potencial produtivo observadas em julho. O mercado internacional passou a incorporar condições mais favoráveis de umidade e temperatura. No Brasil, prêmios elevados sustentam a comercialização da soja, enquanto milho, trigo, arroz, sorgo e feijão seguem trajetórias distintas de oferta e preços.

Na soja norte-americana, 92% das lavouras alcançaram o florescimento. A média para o período fica pouco abaixo de 90%. A formação de vagens chegou a 70%, ante média de 60%. As chuvas ocorreram durante uma fase importante para a definição do rendimento. No total, 63% das lavouras norte-americanas apresentam condição boa ou excelente. No mesmo período do ano passado, o índice alcançava 69%.

Esse cenário pressionou as cotações da soja após os níveis registrados em julho. Os contratos passaram a buscar sustentação próxima de 11,50 dólares por bushel nas posições mais curtas.

No Brasil, os prêmios nos portos ficaram entre 150 e 160 pontos positivos. A comercialização da safra atual chegou a 76%. No ano passado, alcançava 77%. A média também fica em 77%.

A comercialização da próxima safra chegou a 30%. No ano anterior, alcançava 32%, enquanto a média fica em 35%. O volume negociado soma 55,8 milhões de toneladas. Grande parte das operações envolve barter e aquisição de insumos. No ano passado, o volume chegava a 57,6 milhões de toneladas.

O produtor brasileiro também acompanha as condições climáticas antes do plantio da safra 2026/27. Há expectativa de novo crescimento da área de soja.

Situação do milho

No milho, as chuvas também pressionaram Chicago. O contrato de setembro perdeu os patamares de 4,50 e 4,40 dólares por bushel. As posições de 2027 também ficaram abaixo de 5 dólares por bushel.

Nos Estados Unidos, as lavouras classificadas como boas ou excelentes somam 61%. No ano passado, o índice alcançava 73%. O calor de julho reduziu o potencial produtivo. As chuvas de agosto diminuíram o ritmo dessas perdas.

A Europa também influencia o mercado. A seca teria reduzido em cerca de dez milhões de toneladas o potencial da produção de milho da União Europeia. Essa redução pode ampliar as importações europeias.

No Brasil, cerca de 70% do milho de segunda safra já havia sido colhido. No ano passado, o índice chegava a 75%. A média alcança 80%. O volume colhido soma aproximadamente 77 milhões de toneladas, ante 85 milhões no mesmo período do ano anterior.

O plantio do milho de verão começou em pontos isolados do Rio Grande do Sul. Produtores das Missões iniciaram os trabalhos. O avanço deverá depender das previsões de geada.

Situação do trigo

O trigo apresenta quadro distinto. O mercado de Chicago busca sustentação perto de 6,50 dólares por bushel. Contratos mais longos, referentes a 2027 e 2028, aproximam-se de 7 dólares por bushel. O conflito entre Rússia e Ucrânia mantém pressão sobre a logística no Mar Negro.

Nos Estados Unidos, 90% do trigo de inverno já foi colhido, em linha com a média. O trigo de primavera alcançou quase 10% de colheita, ante média de 12%. Cerca de 55% das lavouras de primavera apresentam condição boa ou excelente.

No Brasil, a produção potencial de trigo alcança seis milhões de toneladas. O volume representa redução próxima de 25% diante das 7,8 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. A demanda nacional pode superar 12 milhões de toneladas.

Situação do arroz

No arroz, poucos vendedores aparecem no Rio Grande do Sul. A menor disposição para venda sustenta os preços. Na Fronteira Oeste, os indicativos começam entre 72 e 73 reais por saca.

No Paraguai, estimativas citadas variam entre 150 mil e 180 mil hectares, diante de um potencial de 240 mil hectares. Argentina e Uruguai também apresentam indicativos de redução de área. No Brasil, a produção pode cair para cerca de dez milhões de toneladas. O consumo nacional aparece entre 11 milhões e 12 milhões de toneladas.

Situação do feijão

O feijão segue movimento contrário ao arroz. O avanço da terceira safra aumentou a oferta e pressionou as cotações. O feijão-carioca nobre, com nota nove ou superior, apresenta valores entre 255 e 290 reais por saca. O feijão-preto varia entre 195 e 220 reais por saca, conforme região e posição de compra.

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