Mercado Agrícola - 31.jul.2026

Exportações brasileiras avançam, enquanto trigo e arroz ganham sustentação no mercado interno

31.07.2026 | 10:06 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

As previsões de chuva para o Meio-Oeste dos Estados Unidos pressionaram as cotações da soja e do milho na Bolsa de Chicago. Os contratos de soja para agosto, setembro e novembro de 2026 recuaram para menos de 11,90 dólares por bushel. As posições de 2027 permaneceram acima de 12 dólares por bushel, mas podem perder valor com a normalização do clima norte-americano.

No Brasil, os embarques de soja mantiveram ritmo elevado. As exportações do mês já superariam 13 milhões de toneladas, ante 12,2 milhões de toneladas em todo o mês de julho do ano anterior. O complexo soja, formado por grão, farelo e óleo, ultrapassou 100 milhões de toneladas embarcadas no acumulado, frente a cerca de 90 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.

A comercialização da safra brasileira avançou nas últimas três semanas. Os negócios alcançaram cerca de 75% da produção, ante 75,5% no ciclo anterior e média histórica próxima de 76%. A venda antecipada da nova safra chegou a uma faixa entre 28% e 28,5%. No ano passado, o índice atingia 31,5%. A média alcançava cerca de 33,5%. Parte dos negócios envolveu operações de barter.

Situação do milho

O milho acompanhou a pressão climática em Chicago. O contrato de setembro caiu para menos de 4,50 dólares por bushel. As posições mais próximas de 2027 também perderam o patamar de 5 dólares por bushel. Apenas os contratos de 2028 permaneceram acima desse nível.

Apesar da queda, o mercado mantém fundamentos de sustentação no longo prazo. A perspectiva envolve menor disponibilidade de milho exportável entre os principais fornecedores mundiais, inclusive os Estados Unidos.

No Brasil, a colheita da segunda safra alcançou cerca de 65% da área. Mato Grosso superou 90%. A estimativa para a produção permanece próxima de 110 milhões de toneladas. Mais de 70 milhões de toneladas já saíram das lavouras.

Grande parte do cereal colhido atende contratos programados. Produtores começaram a reduzir a oferta disponível e aguardam preços maiores. Esse movimento pode elevar a pressão sobre consumidores nas próximas semanas.

Situação do sorgo

A colheita do sorgo também alcançou 65% no Brasil. A produção pode ficar entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas. A área plantada superou 2,2 milhões de hectares, com novo recorde.

Nos Estados Unidos, cerca de 40% das lavouras de sorgo apresentavam condição boa ou excelente. Na semana anterior, o índice alcançava 45%. As previsões apontavam chuvas pontuais, sem indicação de volumes suficientes para uma recuperação ampla das áreas.

Situação do trigo

O trigo ganhou força em Chicago. Os contratos superaram 6,60 dólares por bushel. As posições a partir de maio de 2027 passaram de 7 dólares por bushel. Os conflitos na região do Mar Negro dificultaram o fluxo do trigo russo e atingiram estruturas ligadas ao embarque de grãos.

A safra norte-americana também sustentou as cotações. A colheita do trigo de inverno chegou a 85%, enquanto a retirada do trigo de primavera alcançou cerca de 5%. As condições das lavouras permaneceram desfavoráveis.

No mercado brasileiro, os moinhos aguardam a demanda do início de agosto. No Rio Grande do Sul, as indicações ficaram entre 1.320 reais e 1.340 reais por tonelada. No Paraná, os valores variaram de 1.390 reais a 1.415 reais por tonelada.

Situação do arroz

O arroz em casca encerra julho com valorização média de 10 reais no Rio Grande do Sul. Na Fronteira Oeste, as pedidas alcançaram cerca de 70 reais por saca. Na região litorânea, os valores variaram de 74 reais a 76 reais por saca.

No Tocantins, as indicações ficaram entre 85 reais e 90 reais por saca. O movimento de alta atingiu diferentes regiões produtoras e levou a indústria a revisar os preços do produto beneficiado.

Situação do feijão

O feijão enfrentou pressão com o avanço da colheita. A maior oferta reduziu os preços do feijão-carioca de melhor qualidade. Lotes antes negociados acima de 500 reais por saca passaram para uma faixa entre 280 reais e 310 reais.

O feijão comercial, classificado entre os tipos 8 e 8,5, recuou de uma faixa entre 400 reais e 450 reais para valores entre 240 reais e 275 reais por saca. O feijão-preto apresentou maior estabilidade, com indicações nominais entre 190 reais e 215 reais por saca. O setor aguardava a retomada das compras do varejo para reposição dos estoques.

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