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O avanço da colheita nos Estados Unidos e a ausência da China nas negociações durante o feriado da Semana Dourada pressionam as cotações agrícolas em Chicago. Soja e milho registram perdas, enquanto o mercado acompanha uma safra norte-americana sem sinais relevantes de problemas climáticos no curto prazo. No Brasil, exportações, comercialização e plantio da nova temporada seguem no centro das atenções.
Na soja, a colheita norte-americana alcança cerca de 22% da área. Algumas propriedades já superam 30%. Mais de 80% das lavouras chegaram à maturação. A previsão aponta condições favoráveis ao trabalho das máquinas nos próximos dez dias.
As primeiras informações de produtividade indicam resultados dentro das expectativas ou superiores. As projeções mais otimistas citadas no mercado apontam produção de até 125 milhões de toneladas nos Estados Unidos.
A China também influencia as cotações. O país entrou no período de feriado prolongado, com redução da atividade comercial e das operações portuárias. Além disso, a soja permaneceu fora da lista de produtos livres de tarifas adicionais no mercado chinês.
Esse conjunto reduziu o suporte às cotações em Chicago. As posições mais próximas perderam o patamar de 13 dólares. O contrato de julho de 2027, antes negociado acima de 13,50 dólares, aproximou-se de 13 dólares. Para novembro, as indicações aparecem próximas de 12,70 dólares, com possibilidade de aproximação de 12,50 dólares dentro do cenário apresentado.
No Brasil, o câmbio limita parte da pressão externa. O dólar alcançou 5,23 reais. Nos portos, as indicações para soja entre outubro e dezembro variam de 160 reais a 166 reais por saca.
A comercialização da safra nova apresenta 39% da produção negociada. No ciclo anterior, o índice chegava a 39,4%. A média alcança 40,1%. Em volume, 72,2 milhões de toneladas já passaram por negociação, ante 71,1 milhões de toneladas no ano anterior.
O plantio da soja também ganha ritmo no Brasil. A semeadura alcança 7% da área nacional, com mais de 3,9 milhões de hectares implantados. O Paraná lidera com 35%. Mato Grosso supera 10%, Mato Grosso do Sul chega a 6% e Goiás alcança 3%. O Paraguai apresenta avanço entre 50% e 60% da área prevista, segundo as informações apresentadas.
No milho, o mercado internacional recebeu pressão adicional após a divulgação dos estoques norte-americanos. O levantamento apontou 53,2 milhões de toneladas em primeiro de setembro. O mercado esperava cerca de 48,5 milhões de toneladas. A diferença próxima de cinco milhões de toneladas provocou queda nas cotações em Chicago.
A colheita do milho nos Estados Unidos alcança aproximadamente 25%. Mais de 80% das lavouras chegaram à maturação ou apresentam condições para colheita. O avanço das máquinas tende a manter oferta elevada no curto prazo.
No Brasil, os embarques de milho devem fechar setembro próximos de seis milhões de toneladas. Em setembro do ano anterior, passaram de 7,5 milhões de toneladas. De janeiro a setembro, o país embarcou pouco mais de 20 milhões de toneladas, ante mais de 22,5 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ciclo anterior.
A segunda safra brasileira alcança cerca de 112 milhões de toneladas. A produção total, com primeira, segunda e terceira safras, supera 144 milhões de toneladas. O consumo doméstico pode chegar a cerca de 100 milhões de toneladas, puxado pelos segmentos de ração e etanol. A projeção para exportação alcança 42 milhões de toneladas.
No sorgo, a situação das lavouras norte-americanas abre espaço para atenção ao produto brasileiro. Cerca de 35% da safra dos Estados Unidos passou pela colheita. Apenas 26% das lavouras receberam classificação boa ou excelente, ante 64% no ano anterior. A estimativa apresentada indica produção inferior a sete milhões de toneladas, diante de consumo doméstico próximo de seis milhões de toneladas.
O cenário limita o potencial exportador norte-americano. No Brasil, os embarques de sorgo aproximavam-se de um milhão de toneladas no fechamento de setembro.
O trigo também recebe influência da menor atividade chinesa e do avanço das safras. No mercado brasileiro, a atenção recai sobre o excesso de chuva. O Paraná já apresenta colheita avançada. Produtores com produto de melhor qualidade mantêm expectativa de preços firmes.
As exportações brasileiras de trigo somam 1,0869 milhão de toneladas entre janeiro e setembro. No mesmo período do ano anterior, alcançaram 1,5285 milhão de toneladas. As importações acumulam pouco mais de 4,3 milhões de toneladas, ante mais de 5,1 milhões de toneladas um ano antes.
No arroz, o plantio avança no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Tocantins. As cotações gaúchas variam de 81 reais a 90 reais por saca, conforme a região. O mercado aguarda retomada dos embarques após problemas operacionais provocados por temporais nos portos.
No feijão, a oferta reduzida sustenta as cotações. O feijão-carioca de padrão superior alcança indicações entre 305 reais e 315 reais por saca em Goiás e Minas Gerais. Em São Paulo, os valores variam de 330 reais a 350 reais.
O feijão-preto também registra oferta limitada. As indicações variam de 260 reais a 290 reais por saca, enquanto vendedores buscam valores a partir de 300 reais. O mercado acompanha ainda o risco de chuvas sobre lavouras próximas da colheita no Centro-Sul.
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