RS Safra 2026/27: milho avança sob pressão de cigarrinha e percevejos

Semeadura chega a 73% da área; granizo também provoca danos em lavouras de verão

01.10.2026 | 16:43 (UTC -3)
Revista Cultivar

A semeadura do milho alcançou 73% da área prevista no Rio Grande do Sul na safra 2026/27. O avanço ocorre com bom estabelecimento inicial em grande parte das lavouras, mas exige atenção ao manejo fitossanitário. Cigarrinha-do-milho e percevejos mantêm pressão em diferentes regiões. Também houve prejuízos localizados por geada e granizo, com danos expressivos no Noroeste. A Emater/RS projeta 896.401 hectares cultivados e produtividade média de 7.711 quilogramas por hectare.

As áreas implantadas permanecem em germinação, emergência ou desenvolvimento vegetativo. A elevação das temperaturas e a disponibilidade hídrica favoreceram o estabelecimento. Lavouras semeadas mais cedo apresentam bom estande e vigor. Temperaturas baixas retardaram o crescimento em alguns locais, sem indicação de perda do potencial produtivo até o levantamento de 1º de outubro.

Em São Borja, a semeadura alcançou 99% da área regional prevista de 25 mil hectares. As plantas apresentam boa população e desenvolvimento. As precipitações favoreceram a resposta à adubação nitrogenada em cobertura. Os produtores mantêm monitoramento regular da cigarrinha-do-milho.

Na região de Ijuí, o plantio chegou a 92%. As lavouras recuperaram-se dos efeitos das geadas de 7 e 8 de setembro. O crescimento ganhou ritmo, com folhas vigorosas e coloração verde-intensa. Produtores realizaram controle de cigarrinhas e percevejos conforme a necessidade. Granizo registrado em 27 de setembro provocou danos pontuais, com maior destaque para Catuípe.

Na região de Santa Rosa, 86% da área prevista recebeu sementes. Umidade no solo, insolação e temperaturas amenas favoreceram o desenvolvimento vegetativo. A cigarrinha ocorre em grande parte das lavouras. O monitoramento também inclui percevejo-barriga-verde e lagarta-rosca. Ventos e granizo provocaram danos mecânicos nas plantas. A extensão dos prejuízos ainda passa por levantamento.

Santa Maria registra ritmo menor de implantação. Pouco mais de 30% da área regional recebeu sementes. Chuvas intensas, vento e granizo atingiram lavouras em 26 de setembro. Em Santiago, cerca de 180 hectares sofreram danos, com perdas de produtividade estimadas em 60%.

Situação do arroz

O arroz também avança na implantação da safra 2026/27. O ritmo varia conforme a umidade do solo e as condições para trânsito de máquinas. Na Fronteira Oeste, o plantio ultrapassou 50% da área em Itaqui, Maçambará e São Borja. Chuvas intensas provocaram alagamentos em alguns pontos. A elevação de cursos d’água trouxe risco de danos a taipas, drenos, canais, sementes e fertilizantes.

O Instituto Rio Grandense do Arroz projeta 861.779 hectares cultivados. A Emater/RS estima produtividade inicial de 8.741 quilogramas por hectare. Em Dom Pedrito, o excesso de umidade limitou a entrada de máquinas e manteve a semeadura em 10% da área prevista. Em Pelotas, o plantio alcançou 8%. Santa Maria registra cerca de 10%.

Situação do feijão

O feijão da primeira safra também entrou no período de implantação. A Emater/RS projeta 24.587 hectares e produtividade inicial de 1.759 quilogramas por hectare. Temperaturas mais altas favoreceram a retomada do desenvolvimento. Ambientes mais frios ainda apresentam crescimento inicial lento.

O manejo fitossanitário do feijão concentra-se no controle de pragas e plantas daninhas. Na região de Ijuí, a semeadura alcançou 62%. Produtores realizam intervenções conforme a necessidade. Em Santa Maria, granizo, chuva torrencial e ventos fortes causaram danos físicos e tombamento de plantas.

Culturas de inverno

Nas culturas de inverno, a pressão de doenças também mantém o manejo fitossanitário no centro das decisões. No trigo, a elevada umidade favoreceu doenças de espiga, com destaque para giberela. A cultura apresenta 57% da área em enchimento de grãos, 21% em maturação, 19% em floração e 1% colhida.

Frederico Westphalen registra incidência expressiva de giberela, com concentração dos trabalhos em aplicações de fungicidas. Em Ijuí, aumentou a ocorrência de doenças de espiga. Em Soledade, as áreas de implantação tardia apresentam manchas foliares, ferrugem, oídio e giberela.

A canola também apresenta contrastes sanitários. Em Frederico Westphalen, o fungo Sclerotinia sclerotiorum provocou perdas expressivas. A região estima produtividade em 1.500 quilogramas por hectare. Em outras áreas, baixa incidência de pragas e doenças permitiu condição sanitária satisfatória. A Emater/RS estima 353.397 hectares cultivados com canola e produtividade média de 1.619 quilogramas por hectare.

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