Brasil confirma nova rodada de negociação com EUA sobre tarifas
Governo marca reunião técnica e busca acordo antes de 15 de julho
A safra norte-americana de soja avança dentro da normalidade e mantém pressão sobre o mercado brasileiro. Nos Estados Unidos, praticamente todas as lavouras já germinaram. O florescimento deve alcançar 25% neste fim de semana, acima da média de 20% para o período. Em Illinois, 22% das áreas entraram em florescimento. A média estadual alcança 16%.
As lavouras em formação de vagens somam 8% nos Estados Unidos. A média do período chega a 5%. A condição das lavouras mostra 65% em estado bom ou excelente. Na semana anterior, o índice também se manteve próximo desse nível. No ano passado, 66% das lavouras apresentavam condição boa ou excelente. O mercado considera normal uma safra com mais de 60% das áreas nessa classificação.
No Brasil, a comercialização da safra atual de soja alcança pouco mais de 70,5%. No mesmo período do ano passado, passava de 71,5%. A média histórica supera 72%. O produtor ainda mantém cerca de 53 milhões de toneladas sem venda. No ano passado, esse volume chegava a 48,6 milhões de toneladas. A diferença indica quase 5 milhões de toneladas a mais nas mãos dos produtores.
A semana registra aumento nos negócios. A expectativa aponta mais de 2 milhões de toneladas negociadas, entre safra atual e safra nova. A comercialização da safra nova alcança 22,5%. No ano passado, chegava a 26,5%. A média fica em 27,5%. A reação dos preços em Chicago estimulou operações de barter, ligadas à compra de insumos.
No milho, a safra norte-americana também evolui dentro da normalidade. O florescimento alcança 14%, acima da média de 9%. A semeadura rápida antecipou o ciclo. As lavouras em condição boa ou excelente somam 67%. No ano passado, o índice chegava a 73%. Ainda assim, níveis acima de 60% indicam safra boa ou normal.
O milho também recebeu suporte dos problemas produtivos na União Europeia. O contrato julho em Chicago tenta manter preços acima de 4,20 dólares. Nos últimos dias, chegou a rondar 4 dólares. As posições de 2027 operam acima de 4,50 dólares. O julho de 2027 tenta avançar para níveis próximos de 4,80 dólares.
No Brasil, os embarques de milho devem ganhar força nas próximas semanas, com a entrada da safrinha. A colheita segue lenta em todas as regiões. Mato Grosso e Paraná registram atraso. No Paraná, o retorno do sol pode permitir retomada dos trabalhos, após período com chuva, nebulosidade e umidade elevada nos grãos. Novas chuvas podem atrapalhar a colheita nos próximos dias.
A colheita nacional deve ganhar ritmo mais forte após a primeira dezena de julho. A expectativa aponta avanço mais intenso a partir de 15 de julho. A safra apresenta bom potencial. As condições de campo favoreceram as lavouras. As geadas atingiram poucas áreas no Paraná. As estimativas apontam produção próxima de 110 milhões de toneladas na safrinha.
No sorgo, o plantio norte-americano alcança 90%, mesmo nível da média. No Kansas, maior referência produtiva, o plantio chega a 85%, também alinhado à média. No Texas, a semeadura alcança 99%. A condição das lavouras, porém, preocupa. Apenas 51% das áreas recebem classificação boa ou excelente. No ano passado, o índice chegava a 61%. O calor no Kansas e no Texas pressiona as lavouras.
No Brasil, a colheita de sorgo já ocorre em Goiás e Minas Gerais. Bahia também começa a ganhar ritmo. As lavouras apresentam bom potencial. Produtores investiram em tecnologia e sementes. As projeções indicam safra recorde, entre 7,5 milhões e 8 milhões de toneladas. A área final pode alcançar 2,2 milhões de hectares.
No trigo, Chicago opera em níveis mais altos. O mercado busca sustentação perto de 6 dólares. Posições mais longas, a partir de meados de 2027, operam acima de 6,50 dólares. A safra de inverno dos Estados Unidos apresenta dificuldades. A colheita alcança entre 48% e 50%, acima da média histórica inferior a 40%. O avanço reflete maturação antecipada. Apenas 26% das lavouras têm condição boa ou excelente. No ano passado, o índice alcançava 48%.
No Brasil, o mercado de trigo segue calmo. No Rio Grande do Sul, a tonelada gira entre 1.310 reais e 1.320 reais. No Paraná, varia de 1.350 reais a 1.380 reais. No balcão ao produtor, a saca oscila entre 69 reais e 71 reais. A área plantada caiu. As estimativas indicam menos de 2 milhões de hectares, ante 2,5 milhões de hectares na safra passada. Algumas avaliações apontam área inferior a 1,8 milhão de hectares. O Brasil pode precisar importar 7 milhões de toneladas no próximo ano.
No arroz, o mercado perdeu força após reação no início de junho. Algumas praças subiram entre 2 reais e 3 reais e depois recuaram entre 1 real e 2 reais. A virada de junho para julho trouxe estabilidade. O mercado aguarda demanda do varejo e do consumidor.
O produtor de arroz demonstra desânimo no Rio Grande do Sul. Comentários de mercado indicam possível queda de 100 mil hectares na área plantada. Alguns agentes apontam redução maior. A oferta menor da próxima safra e estoques de passagem reduzidos podem deixar o mercado mais firme no próximo ano. No momento, Tocantins e Mato Grosso seguem com preços estáveis.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura