Mercado Agrícola - 25.ago.2026

Soja perde força em Chicago e milho ganha suporte com oferta menor

25.08.2026 | 15:56 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

Estimativas de produção nos Estados Unidos e o avanço das exportações brasileiras direcionam o mercado de grãos no fim de agosto. A soja perdeu força em Chicago após projeções de uma safra norte-americana maior. O milho recebeu suporte diante da redução do potencial produtivo nos Estados Unidos. No Brasil, os embarques do complexo soja alcançaram volumes recordes, enquanto arroz e feijão apresentaram reação nos preços.

O levantamento do Pro Farmer indicou uma safra norte-americana de soja de 124,4 milhões de toneladas, em uma área de 35,1 milhões de hectares. O volume supera a referência de 123 milhões de toneladas citada no relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA. A produção norte-americana alcançou 116 milhões de toneladas no ciclo anterior, segundo os dados apresentados.

A perspectiva de maior oferta pressionou as cotações em Chicago. O mercado perdeu entre 10 e 15 pontos nos primeiros pregões da semana. As compras chinesas deram sustentação aos preços nas últimas semanas, mas não impediram a perda de fôlego.

Os dados do USDA também indicaram redução na qualidade das lavouras. A soja norte-americana tinha 91% das áreas em formação de vagens, acima da média histórica de 88%. A maturação alcançou 6%, diante de uma média de 4%. O percentual de lavouras em condição boa ou excelente caiu de 61% para 60% em uma semana. No mesmo período do ano anterior, 69% das lavouras tinham essa classificação.

No Brasil, as exportações mantiveram ritmo elevado. Os embarques de soja somaram 6,88 milhões de toneladas em agosto e levaram o acumulado a 89,9 milhões de toneladas. No mesmo período do ano anterior, o volume alcançava 83,7 milhões de toneladas.

O farelo também registrou recorde de embarques. As exportações chegaram a 17,8 milhões de toneladas, ante 15,4 milhões de toneladas no ano anterior. O óleo de soja alcançou 1,8 milhão de toneladas, frente a 1,3 milhão de toneladas. O complexo soja somou 109,5 milhões de toneladas exportadas, contra 100,4 milhões de toneladas no período anterior.

A comercialização da safra brasileira de soja atingiu 79,5%. No ano anterior e na média, o índice chegava a 81,5%. Os produtores ainda mantêm cerca de 37 milhões de toneladas disponíveis, frente a 31,7 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo passado.

A safra nova alcançou 36% de comercialização. O índice ficava em 38% no ano anterior e em 39% na média. Os prêmios nos portos seguem elevados, com maior sustentação para embarques próximos, principalmente em setembro. Os primeiros plantios da nova temporada devem começar nas próximas semanas.

Situação do milho

O milho norte-americano também apresentou redução na qualidade. O percentual de lavouras em condição boa ou excelente ficou em 57%. O Pro Farmer estimou produção de 389,7 milhões de toneladas. O USDA havia indicado 406,8 milhões de toneladas em agosto. A safra anterior alcançou 432,3 milhões de toneladas.

A diferença representa redução superior a 42 milhões de toneladas em relação ao ciclo passado. Esse cenário trouxe sustentação às cotações. Contratos de meses mais distantes se aproximaram de valores entre 5,40 e 5,50 dólares.

No desenvolvimento das lavouras, 86% do milho norte-americano havia alcançado a fase de espigamento. A média histórica chega a 82%. O enchimento de grãos atingiu 45%, acima dos 41% da média. A maturação alcançou 6%, mesmo percentual da média histórica.

No Brasil, a colheita da segunda safra chegou a 93%. O índice alcançava 96% no ano anterior e 95% na média. O plantio da safra de verão se aproximava de 5%.

As exportações brasileiras de milho somaram cerca de 3,43 milhões de toneladas nas três primeiras semanas de agosto. O acumulado do ano atingiu 13,3 milhões de toneladas, diante de 13,7 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ano anterior. Os embarques de agosto geraram 745,1 milhões de dólares em divisas.

Situação do sorgo

O sorgo também entrou no foco do mercado diante da menor oferta norte-americana. Nos Estados Unidos, 27% das lavouras receberam classificação boa ou excelente. O percentual alcançava 28% na semana anterior e 63% no ano passado.

A produção norte-americana passou a receber estimativas próximas de 6,5 milhões de toneladas, abaixo dos 7,5 milhões de toneladas indicados pelo USDA em agosto. No Brasil, a colheita se aproximava de 90%, com produção entre 7,5 milhões e 8 milhões de toneladas.

Nesse cenário, o Brasil passa a ocupar a liderança na produção mundial de sorgo nesta temporada, conforme as informações apresentadas. A menor disponibilidade de milho no mercado internacional também amplia a oportunidade para exportações brasileiras de sorgo e milho.

Situação do trigo

O trigo mantém firmeza no mercado internacional. As posições de 2027 superavam 7 dólares, enquanto setembro operava acima de 6,80 dólares.

Nos Estados Unidos, 62% do trigo de primavera havia sido colhido, ante média histórica de 52%. A condição boa ou excelente caiu de 52% para 51% em uma semana. O trigo de inverno apresentou índices ainda menores durante o ciclo, próximos de 30% a 35% em condição boa ou excelente.

O Brasil importou 372 mil toneladas de trigo nas três primeiras semanas de agosto. No mesmo mês do ano anterior, as importações totais chegaram a 492,1 mil toneladas. O acumulado do ano se aproximava de 3,8 milhões de toneladas, abaixo das 4,5 milhões de toneladas registradas no mesmo período anterior.

No mercado interno, as referências citadas ficaram próximas de 70 reais no Rio Grande do Sul e de 72,76 reais no Paraná. O início da colheita em regiões paranaenses trouxe pressão dos compradores, mas a sustentação externa manteve espaço para reação.

Situações do arroz e feijão

As exportações brasileiras de arroz, em base casca, se aproximaram de 1,5 milhão de toneladas no acumulado do ano. As importações ficaram próximas de 1,2 milhão de toneladas. O saldo resultou em aproximadamente 260 mil toneladas a favor das exportações. No mesmo período do ano anterior, as importações superavam as exportações em cerca de 86 mil toneladas.

No Rio Grande do Sul, as indicações de arroz variaram entre 75 e 82 reais. Algumas referências chegaram a 84 reais. No varejo, os preços do pacote de cinco quilogramas variaram de 15,98 a 36 reais, com grande parte das marcas acima de 20 reais.

O plantio avançou no litoral norte de Santa Catarina. Produtores da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul também se preparavam para iniciar a semeadura. As projeções citadas apontam redução de área no novo ciclo, com estimativas variando de 5% a 15%.

O feijão também recuperou preços em agosto após a queda observada em julho. O feijão-carioca nota 9, ainda proveniente da terceira safra, apresentou indicações entre 290 e 330 reais. O carioca comercial variou de 275 a 300 reais. O feijão-preto apresentou referências entre 200 e 225 reais.

A retenção de vendas pelos produtores limitou a oferta disponível. Compradores buscaram produto para reposição no fim de agosto e início de setembro. A terceira safra ainda mantinha áreas em colheita em algumas regiões do país.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp