Mercado Agrícola - 19.jun.2026

Dólar sustenta grãos, mas clima e safra pressionam preços

19.06.2026 | 08:22 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O dólar em alta deu sustentação aos preços agrícolas nos portos brasileiros nesta semana. A pressão veio do mercado externo, após decisões de bancos centrais e queda do petróleo. A soja manteve indicações firmes nos portos. O milho teve apoio cambial, mas seguiu pressionado em Chicago. O trigo encontrou suporte na oferta internacional menor. Arroz iniciou reação no Sul. Feijão perdeu força com aumento da colheita.

A soja sentiu a pressão em Chicago. O contrato julho tentou sustentar níveis acima de 11,20 dólares por bushel, após trabalhar abaixo desse patamar. O suporte mais forte aparece em 11 dólares por bushel. O suporte mais leve aparece em 11,10 dólares por bushel. Posições mais longas tiveram desempenho um pouco melhor. Contratos de 2027 ficaram perto de 11,50 dólares por bushel.

Nos portos brasileiros, os prêmios positivos e o dólar alto sustentaram a soja. As indicações variaram de R$ 135 por saca em julho a R$ 142 por saca em outubro. O mercado teve poucas oscilações e leve pressão de alta nos valores em reais.

O clima nos Estados Unidos limitou altas da soja. As lavouras seguem dentro da normalidade. As chuvas permanecem regulares. Relatório aponta 66 por cento das lavouras em condição boa ou excelente. O mercado ainda observa riscos para julho, com temor ligado ao El Niño, mas sem confirmação de problemas até o momento.

Situação do milho

O milho também recuou no mercado externo. A queda do petróleo pressionou o etanol norte-americano. Esse movimento afetou o cereal. A safra dos Estados Unidos segue sem novidades relevantes. As lavouras apresentam 68 por cento em condição boa ou excelente. O mercado acompanha julho como período de risco climático, mas negocia o cenário atual com safra regular.

Em Chicago, o milho julho manteve suporte perto de 4,10 dólares por bushel. O contrato julho de 2027 ficou perto de 4,80 dólares por bushel. No Brasil, os portos trabalharam perto de R$ 61 a R$ 62 por saca, com suporte do dólar.

A colheita ganhou peso no mercado interno de milho. Mato Grosso colhe mais de um milhão de toneladas por dia. Goiás, Minas Gerais e Paraná iniciaram avanço das primeiras áreas. Em comparação com anos anteriores, a colheita apresenta leve atraso. O plantio ocorreu mais tarde em parte das regiões.

As primeiras lavouras tiveram boas condições e ciclo normal. As lavouras intermediárias sofreram mais. As áreas tardias receberam chuvas nas últimas duas semanas e apresentaram boa condição. O risco agora envolve uma massa de ar polar prevista para o fim de junho.

Situação do trigo

O trigo teve comportamento distinto. O mercado internacional passou a observar problemas na Ucrânia, grande exportadora do cereal. Bombardeios atingiram terminais de embarque e podem limitar exportações. A safra russa também não apresenta bom desempenho. Nos Estados Unidos, a qualidade do trigo permanece baixa. Apenas 27 por cento das lavouras aparecem em condição boa ou excelente. A colheita do trigo de inverno chegou a cerca de 30 por cento.

A oferta menor sustentou o trigo. O contrato spot de julho tentou manter suporte em 6 dólares por bushel. Posições mais longas ficaram mais valorizadas. Contratos de 2027 buscaram níveis acima de 6,50 dólares por bushel.

No Brasil, o plantio de trigo entrou na reta final. As lavouras apresentam boas condições. O clima tem sido regular, com chuvas e sem problemas relevantes. No Rio Grande do Sul, as indicações ficaram entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada. No Paraná, variaram de R$ 1.360 a R$ 1.380 por tonelada. Ao produtor, o trigo ficou entre R$ 69 e R$ 71 por saca do Rio Grande do Sul ao Paraná. Estados de São Paulo para cima tiveram patamares um pouco maiores.

Situação do sorgo

O sorgo entrou no radar do produtor brasileiro por causa dos Estados Unidos. O país lidera as exportações mundiais e deve reduzir área de plantio entre 12 por cento e 15 por cento. Essa queda pode abrir espaço para outros exportadores. A análise aponta possibilidade de meio milhão de toneladas de exportação sem atendimento pelos produtores norte-americanos.

No Brasil, a produção de sorgo pode chegar a oito milhões de toneladas ou mais. Nos Estados Unidos, o plantio chegou a 75 por cento da área. A média histórica fica perto de 78 por cento. O Kansas, maior produtor, alcançou 60 por cento, contra média de 65 por cento. O Texas caminha para fechamento dentro da normalidade. O clima ainda não trouxe grandes mudanças para o sorgo norte-americano.

Situação do arroz

O arroz começou a reagir no mercado gaúcho. Na Fronteira Oeste, o arroz de 58 grãos inteiros ficou em R$ 58 por saca, com indicações de compra a R$ 59. O arroz de 60 grãos inteiros chegou a R$ 60. Outras regiões do Rio Grande do Sul trabalharam acima de R$ 60 por saca. O Sul de Santa Catarina também apresentou leve alta.

A reação ocorreu após o pico de safra. O produtor vendeu parte da produção e o mercado passou a apresentar sinais de melhora. Mato Grosso segue firme, com pouca disponibilidade. As indicações variam de R$ 90 a R$ 100 por saca, com poucos negócios. No Tocantins, o mercado ficou entre R$ 78 e R$ 82 por saca.

Situação do feijão

O feijão entrou em fase de maior oferta. A colheita avançou e reduziu os preços ao produtor. O feijão-carioca nobre, linha nove acima, chegou a R$ 500 por saca no mês anterior. Agora trabalha entre R$ 370 e R$ 390 por saca. O mercado já não registra negócios próximos de R$ 400.

O feijão-carioca comercial também recuou. As indicações ficaram entre R$ 310 e R$ 350 por saca, com a maior parte dos negócios entre R$ 310 e R$ 340. A pressão deve durar cerca de um mês, enquanto a colheita avança. Depois, entre agosto e setembro, a oferta de lavoura tende a diminuir. O feijão irrigado entra no fim de setembro e em outubro.

O feijão-preto também perdeu força. Após atingir R$ 300 por saca nos melhores momentos, passou a variar entre R$ 180 e R$ 210. Em alguns locais, o balcão ficou entre R$ 150 e R$ 160. A calmaria atinge produtores e cooperativas de Santa Catarina e Paraná.

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