Inverno terá temperaturas acima da média em todo o Brasil

Prognóstico do Inmet aponta geadas no Sul e chuvas acima da média na região

18.06.2026 | 17:46 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Inmet

O inverno começa no próximo domingo (21/6) no Hemisfério Sul e termina no dia 22 de setembro. A estação é marcada pela redução das chuvas nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e em áreas das regiões Norte e Nordeste, enquanto os maiores acumulados costumam ocorrer na Região Sul. Para o trimestre julho-agosto-setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê a manutenção desse padrão, além de temperaturas acima da média em todo o país.

O período também se caracteriza pela menor incidência de radiação solar e pela atuação frequente de massas de ar frio provenientes do sul do continente. Em contrapartida, a persistência de massas de ar seco favorece a redução da umidade relativa do ar e aumenta o risco de incêndios em diversas regiões.

Nos próximos meses, o Inmet prevê ocorrência de geadas no Sul, Sudeste e Mato Grosso do Sul, além da possibilidade de neve nas áreas serranas e nos planaltos da Região Sul. As massas de ar frio também devem avançar sobre Mato Grosso, Rondônia, Acre e o sul do Amazonas.

Climatologia de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre julho, agosto e setembro; período de referência: 1981-2010; fonte: Inmet
Climatologia de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre julho, agosto e setembro; período de referência: 1981-2010; fonte: Inmet

Região Norte

A previsão para julho, agosto e setembro indica predomínio de chuvas abaixo da média histórica em praticamente toda a região. As temperaturas devem permanecer acima da climatologia, com desvios superiores a 1°C em relação à média do período.

Região Nordeste

A tendência é de chuvas abaixo da média em grande parte da região. Volumes próximos à climatologia são esperados no centro-oeste da Bahia, centro-sul do Piauí, extremo sul do Maranhão e extremo oeste de Pernambuco. As temperaturas devem ficar acima da média em todo o Nordeste, especialmente no Maranhão, oeste do Piauí e oeste da Bahia, onde os desvios podem superar 1°C.

Região Centro-Oeste

O Inmet prevê volumes de chuva próximos à média histórica em toda a região. As temperaturas, porém, devem permanecer acima da climatologia, com anomalias superiores a 1°C em áreas da faixa central.

Região Sudeste

A previsão indica chuvas próximas da média em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Já o centro-sul de São Paulo pode registrar acumulados acima da média, enquanto o Espírito Santo tende a apresentar volumes inferiores ao padrão histórico. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região, com os maiores desvios previstos para o oeste mineiro.

Região Sul

As condições são favoráveis para chuvas acima da média nos três estados da região. Os maiores acumulados são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, podendo atingir até 100 milímetros acima da média histórica do trimestre. Em relação às temperaturas, a tendência é de valores predominantemente acima da média, embora o centro-sul gaúcho deva registrar condições próximas da climatologia.

Previsão de anomalias de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre julho, agosto, setembro/2026, elaborada conjuntamente pelo Inmet, CPTec/Inpe e Funceme
Previsão de anomalias de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre julho, agosto, setembro/2026, elaborada conjuntamente pelo Inmet, CPTec/Inpe e Funceme

Condições oceânicas

Previsão probabilística de ENOS do APEC Climate Center; fonte: APEC Climate Center
Previsão probabilística de ENOS do APEC Climate Center; fonte: APEC Climate Center

No Oceano Pacífico Equatorial, a região Niño 3.4 (170°W–120°W), referência para o monitoramento do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (Enos), vem registrando anomalias positivas de temperatura da superfície do mar desde março de 2026. Segundo o Inmet, o aquecimento apresenta configuração espacial semelhante à observada durante episódios de El Niño.

As projeções do APEC Climate Center (APCC), da Coreia do Sul, apontam 100% de probabilidade de ocorrência de El Niño no trimestre julho-agosto-setembro de 2026. Para um evento de forte intensidade, a probabilidade estimada é de 99,4%.

Perspectivas para o agro

Segundo o Inmet, o trimestre julho-agosto-setembro deverá ser influenciado por um episódio de El Niño de forte intensidade. No Norte e Nordeste, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas tende a aumentar a deficiência hídrica, com possíveis impactos sobre pastagens, culturas perenes e lavouras de sequeiro.

No Centro-Oeste, o tempo mais seco deve favorecer a colheita do milho safrinha, algodão e cana-de-açúcar, mas pode agravar a redução da umidade do solo e afetar pastagens e a preparação para a próxima safra. No Sudeste, as condições tendem a beneficiar culturas de inverno e a colheita do café, embora o calor possa acelerar o ciclo das lavouras e aumentar a pressão de doenças.

Já na Região Sul, a previsão de chuvas acima da média favorece o desenvolvimento das culturas de inverno, mas também eleva o risco de doenças fúngicas. Por outro lado, a maior nebulosidade e as temperaturas mais altas podem reduzir a ocorrência de geadas tardias.

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