Mercado Agrícola - 17.mar.2026

Soja avança na colheita e mercado trava negociações

17.03.2026 | 15:39 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional mantém pressão sobre custos de produção. Petróleo segue valorizado, com WTI próximo de US$ 95 e Brent acima de US$ 100. Esse cenário eleva o preço do diesel e dos fertilizantes. Produtores relatam dificuldade com a relação de troca.

A soja iniciou a semana com forte liquidação técnica em Chicago. Perdas variaram de 30 a 70 pontos. No pregão seguinte, houve recuperação e tentativa de formação de suporte. Níveis indicam base em US$ 11,50 por bushel e resistência entre US$ 11,80 e US$ 12. Contratos para 2027 operam acima de US$ 11,30. Patamar acima de US$ 11,50 atrai operações de hedge.

O clima no hemisfério norte mantém incerteza. Frio intenso, neve e geadas impedem avanço do plantio nos Estados Unidos. O mercado segue defensivo, com pouco espaço para quedas adicionais.

No Brasil, a colheita de soja alcança 62%. Mato Grosso lidera com 98%. Paraná atinge 70%. Mato Grosso do Sul soma 75%. Goiás registra 68%. Bahia chega a 50%. Rondônia alcança 80%. Rio Grande do Sul inicia com 2%.

O Rio Grande do Sul enfrenta perdas relevantes. A produção pode cair de potencial entre 25 e 26 milhões de toneladas para cerca de 20 milhões. Chuvas recentes aliviaram parte das lavouras tardias.

A comercialização da safra passada alcança 99%. Volume negociado soma 169,5 milhões de toneladas. A safra atual registra 42% vendida, abaixo da média histórica de 49%. O ritmo desacelerou após entraves logísticos e fiscalização sobre embarques.

Exportações seguem em nível recorde. Em março, embarques atingem 6,5 milhões de toneladas nas duas primeiras semanas. No acumulado do ano, somam 15,5 milhões, acima das 14,8 milhões do ano anterior. O complexo soja totaliza 20,4 milhões de toneladas exportadas. Receita supera US$ 3 bilhões no mês.

Situação do milho

O mercado de milho registra colheita de 60% da primeira safra. Plantio da safrinha alcança 97%, com atraso relevante. Estimativas indicam até 1 milhão de hectares fora da janela ideal.

A oferta disponível soma 28,3 milhões de toneladas. Inclui estoques da primeira safra e remanescentes da safrinha anterior. O consumo interno supera 8 milhões de toneladas mensais. Exportações avançam, com 6,3 milhões de toneladas no ano.

Em Chicago, o milho busca suporte em US$ 4,50 por bushel. Contratos para julho de 2027 operam próximos de US$ 5, nível considerado atrativo para fixação futura.

Situação do trigo

O trigo apresenta suporte em US$ 6 por bushel no curto prazo. No Brasil, negócios seguem pontuais. Preços giram em torno de R$ 1.100 por tonelada no Rio Grande do Sul e acima de R$ 1.200 no Paraná. O trigo importado supera R$ 1.500 por tonelada.

Situação do arroz

A colheita de arroz avança no Rio Grande do Sul e atinge cerca de 20%. Lavouras da fronteira oeste apresentam alta qualidade. Preços variam entre R$ 56 e R$ 62 no estado.

Situação do feijão

O feijão perde força após alta em fevereiro. O carioca tipo nobre varia entre R$ 325 e R$ 350 por saca. O preto oscila entre R$ 180 e R$ 200. A segunda safra indica redução de área.

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