Mercado Agrícola - 16.out.2026

Conab projeta 181,6 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27

16.10.2026 | 05:35 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A Conab projeta produção de 181,6 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, com área de 49,3 milhões de hectares. Os números integram o primeiro levantamento da companhia e indicam crescimento de 1,4% na superfície cultivada. A estimativa de produção supera os 180,4 milhões de toneladas da temporada anterior, mas fica abaixo das projeções de agentes do mercado, situadas entre 185 milhões e 190 milhões de toneladas.

Situação da soja

O plantio da soja alcança 40% da área prevista no Brasil. O Paraná supera 60% da área, seguido por São Paulo, com 55%, Rondônia, com 50%, e Mato Grosso, acima de 45%. Mato Grosso do Sul se aproxima de 40% e Goiás, de 35%. Rio Grande do Sul e Santa Catarina iniciaram os trabalhos.

A comercialização da safra 2025/26 atinge 82,1% da produção, ante 84% no mesmo período do ano anterior. O volume ainda disponível com os produtores chega a 32,3 milhões de toneladas, contra 27,5 milhões de toneladas um ano antes. Na safra nova, as vendas antecipadas correspondem a 39,4% da produção estimada. Apesar do percentual inferior aos 39,7% do ciclo anterior, o volume negociado alcança 72,9 milhões de toneladas, acima dos 71,7 milhões de toneladas registrados na comparação anual.

No mercado internacional, a colheita de soja dos Estados Unidos ultrapassou 50% da área, abaixo da referência de 55% para o período. A expectativa de aceleração dos trabalhos pressiona os contratos negociados em Chicago. A projeção de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica produção de 124,2 milhões de toneladas. A China adquiriu aproximadamente 800 mil toneladas de soja norte-americana na semana e acumula compras próximas de 14 milhões de toneladas, diante de uma programação de 25 milhões de toneladas.

Situação do milho

No milho, o plantio brasileiro da primeira safra alcança 85% da área, acima dos 80% registrados no mesmo período do ano passado. Nos Estados Unidos, a colheita ultrapassou 40% da área, ante referência de 46% para esta época.

A oferta disponível mantém a comercialização do milho brasileiro lenta. Segundo o levantamento de mercado, aproximadamente 70 milhões de toneladas permanecem com os produtores. As exportações acumulavam 21,5 milhões de toneladas até a semana anterior, contra 27,7 milhões de toneladas no período equivalente do ano passado. Nos primeiros sete dias do mês, os embarques superaram 1,73 milhão de toneladas. A movimentação de soja, milho, sorgo e farelo também disputa espaço nos portos.

Situação do sorgo

Para o sorgo, a Conab prevê 2,215 milhões de hectares na safra 2026/27, acima dos 2,169 milhões de hectares do ciclo anterior. A produção projetada chega a 8 milhões de toneladas. É possível uma expansão maior de área, condicionada à disponibilidade de sementes. A colheita norte-americana alcançou aproximadamente 50%, contra média de 56%. No Brasil, a safra anterior ficou próxima de 7,4 milhões de toneladas.

Situação do trigo

No trigo, a Conab estima produção brasileira de 5,7 milhões de toneladas, ante 7,9 milhões de toneladas na temporada anterior. A área cultivada recuou de 2,4 milhões para pouco mais de 1,9 milhão de hectares. A previsão de importações supera 7 milhões de toneladas. A colheita avançou no Paraná, enquanto o excesso de chuvas dificulta o desenvolvimento e a maturação das lavouras no Rio Grande do Sul.

Situação do arroz

O arroz enfrenta pressão de preços no Rio Grande do Sul. Na Fronteira Oeste, as indicações para o produto comercial recuaram de R$ 81 para R$ 78 a R$ 79, conforme o comentário. A menor disponibilidade de capital de giro das indústrias e a necessidade de venda dos produtores limitam a recuperação das cotações. O plantio alcança 65% da área gaúcha.

Situação do feijão

No feijão, o mercado registra negociações limitadas e reposição moderada pelo varejo. Em Minas Gerais e Goiás, o feijão-carioca de melhor padrão apresenta indicações entre R$ 305 e R$ 315; em São Paulo, entre R$ 330 e R$ 340. Para o carioca comercial, as referências ficam entre R$ 280 e R$ 300 nos dois primeiros estados e entre R$ 310 e R$ 330 em São Paulo. O feijão-preto apresenta indicações entre R$ 260 e R$ 275.

A chuva prejudica lavouras de feijão em florescimento no norte e noroeste do Paraná e interfere na maturação e na colheita no sudoeste paulista. A Conab projeta produção de 2,93 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 2,95 milhões de toneladas no ciclo anterior. A estimativa de consumo recua de 2,68 milhões para 2,65 milhões de toneladas.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp
Ascribe