Biodiesel pode elevar demanda por soja em MS
Mistura maior deve impulsionar investimentos e indústria, aponta a Aprosoja-MS
O mercado global de commodities agrícolas registra acomodação nos preços da soja. A queda do petróleo e a valorização de moedas frente ao dólar reduziram a pressão compradora. O barril recuou de patamares acima de US$ 115 para cerca de US$ 90. O movimento trouxe alívio ao custo energético e reduziu o ímpeto especulativo.
Na Bolsa de Chicago, a soja tenta sustentar suporte em US$ 11,40 por bushel. A resistência aparece em US$ 11,80. Tentativas recentes de alcançar US$ 12,00 falharam. O principal fator envolve o avanço do plantio nos Estados Unidos. A área semeada atinge 6% no início da semana. No mesmo período do ano passado e na média histórica, o índice marcava 2%.
Estados do cinturão produtor apresentam ritmo elevado. Illinois registra 7% da área implantada. Indiana chega a 4%. Regiões mais ao norte ainda enfrentam frio intenso, com previsão de neve em áreas próximas ao Canadá. Mesmo assim, o calendário permite avanço até o fim de maio. O cenário abre espaço para possível ampliação de área e pressiona cotações.
No Brasil, a colheita alcança 92% da área. O ritmo segue abaixo do ano anterior, com 95% no mesmo período. Mato Grosso lidera com 99%. Paraná atinge 95%. Goiás marca 90%. No Rio Grande do Sul, a colheita aproxima-se de 50%, com atraso relevante. A produção nacional gira em torno de 180 milhões de toneladas, com leve alta frente ao ciclo anterior.
A comercialização avança lentamente. Apenas 55% da safra encontra-se negociada. No mesmo período do ano passado, o índice alcançava 60%. O volume disponível nas mãos do produtor soma cerca de 81 milhões de toneladas. O número supera o registrado no ciclo anterior.
As exportações mantêm ritmo elevado. Em abril, embarques já somam 6,5 milhões de toneladas. O acumulado do ano alcança 30 milhões. O complexo soja gera US$ 3,2 bilhões em divisas apenas nos primeiros dias úteis do mês.
No milho, o plantio americano também evolui acima da média. A área semeada chega a 5%, contra média de 4%. O Texas lidera com 63%. Illinois alcança 4%. Iowa inicia com 1%. O mercado projeta redução de área total, com expectativa próxima de 38 milhões de hectares, abaixo dos 40 milhões do ciclo anterior.
As cotações em Chicago buscam sustentação em US$ 4,40 por bushel no curto prazo. Contratos mais longos se aproximam de US$ 5,00. O mercado sinaliza possível aperto na oferta futura, em função da menor área.
No Brasil, a colheita da primeira safra de milho alcança 82%. A segunda safra já ocupa toda a área prevista. O clima passa a definir o potencial produtivo, com atenção para chuvas até maio e risco de geadas no Sul. A Conab projeta produção total de 139,5 milhões de toneladas. O mercado trabalha com números inferiores para a safrinha, entre 105 e 106 milhões.
O trigo apresenta maior volatilidade. Declarações da Rússia indicam possível restrição nas exportações, com foco no abastecimento interno. Esse movimento sustenta alta em Chicago, com contratos próximos de US$ 6,00 por bushel.
Nos Estados Unidos, a qualidade das lavouras preocupa. Apenas 34% das áreas classificam entre boas e excelentes, abaixo dos 47% do ano passado. O percentual de lavouras ruins ou muito ruins alcança 32%.
No Brasil, a área de trigo deve recuar. A Conab projeta 2,2 milhões de hectares, frente a 2,5 milhões no ciclo anterior. A produção estimada fica em 6,6 milhões de toneladas. O país deve ampliar dependência do trigo argentino.
No arroz, o mercado segue estável no Sul do país. Preços variam entre R$ 60 e R$ 66 por saca no Rio Grande do Sul. A colheita atinge cerca de 80%. A produção nacional aproxima-se de 11,2 milhões de toneladas. Exportações acumulam volume superior ao registrado no ano anterior.
O feijão registra leve alta. O carioca nobre atinge valores entre R$ 310 e R$ 340 por saca. A oferta tende a diminuir, com projeção de safra menor. O mercado aponta maior ajuste ao longo do ano.
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