Mariposa oriental usa brilho para escolher folhas

Estudo indica preferência de fêmeas de Grapholita molesta por áreas claras mesmo sob luz irregular no dossel

28.05.2026 | 14:04 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Clemson University - USDA
Foto: Clemson University - USDA

Fêmeas de Grapholita molesta mantêm a capacidade de distinguir brilho e intensidade luminosa em ambientes com luz irregular, sugere estudo de cientistas chineses. O resultado indica uso consistente de pistas visuais na escolha de locais de oviposição, mesmo sob condições semelhantes às encontradas em pomares ao entardecer.

A pesquisa avaliou a preferência de fêmeas entre estímulos verde-claro e verde-escuro. O estudo também comparou a postura em áreas com maior, média e menor intensidade luminosa. Os testes ocorreram sob luz uniforme, luz salpicada simulada e luz salpicada complexa. Os cientistas usaram três níveis de iluminância: cem lux, um lux e zero vírgula zero um lux. Esses valores correspondem a crepúsculo, crepúsculo tardio e luar.

Em todas as condições, as fêmeas depositaram mais ovos sobre o estímulo verde-claro. A preferência ocorreu nos três níveis de iluminância. A luz salpicada não reduziu a discriminação de brilho. O mesmo padrão ocorreu para a intensidade luminosa. As fêmeas concentraram a postura nas áreas de maior intensidade, com frequência superior a sessenta e seis por cento.

Praga em rosáceas

Grapholita molesta ocorre como praga de pessegueiro, pereira, macieira e outras rosáceas. As fêmeas costumam depositar ovos em folhas jovens, localizadas no topo das plantas hospedeiras, durante o entardecer. Estudos anteriores já haviam indicado preferência por maior brilho e maior intensidade luminosa em condições de baixa luz. O novo trabalho avaliou se a luz heterogênea do dossel poderia alterar esse comportamento.

Os pesquisadores montaram os ensaios em caixas de papelão com vinte centímetros por vinte centímetros por trinta centímetros. Retângulos verde-claros e verde-escuros, com cinco centímetros por dez centímetros, ficaram dispostos nas paredes internas. Os estímulos simulavam folhas jovens e velhas de pessegueiro. Uma lâmpada LED branca iluminou o sistema por cima, a mais de cinquenta centímetros da caixa.

Para simular luz salpicada, os cientistas usaram filtros com manchas verde-claras, verde-escuras e áreas transparentes. No tratamento de luz salpicada complexa, uma segunda camada com faixas verticais foi sobreposta ao padrão inicial. Cada experimento teve dez repetições, com cem mariposas por condição.

Os testes começaram às dezessete horas, três horas antes do início da escotofase. Dez fêmeas acasaladas, com três dias de idade, foram colocadas em cada caixa. Elas tiveram quinze horas durante a noite para ovipositar. Na manhã seguinte, os pesquisadores retiraram as fêmeas e contaram os ovos depositados nos retângulos verde-claros e verde-escuros.

Análise estatística

A análise estatística apontou preferência significativa pelo verde-claro em luz uniforme, luz salpicada e luz salpicada complexa. A resposta ocorreu em cem lux, um lux e zero vírgula zero um lux. O estudo também registrou preferência significativa pelas zonas de maior intensidade luminosa em todas as combinações testadas.

Segundo os cientistas, a estabilidade dessa resposta pode ajudar a espécie a localizar locais adequados para oviposição em pomares, onde ramos e folhas criam distribuição irregular de luz durante boa parte da estação de crescimento. Os pesquisadores também destacam possíveis aplicações no manejo. A compreensão da preferência por brilho pode auxiliar o desenvolvimento de estratégias visuais, como armadilhas ou superfícies repelentes com maior contraste luminoso.

Mais informações em doi.org/10.3390/insects1706055

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