Lucro da Nutrien cai 39% no terceiro trimestre de 2026

Companhia registra lucro de US$ 288 milhões; fluxo de caixa gerado pelas atividades operacionais aumentou

05.11.2026 | 05:36 (UTC -3)
Revista Cultivar

A Nutrien registrou lucro líquido de US$ 288 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 39% em relação aos US$ 469 milhões apurados no mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 6,064 bilhões, crescimento de 1%. O EBITDA ajustado recuou 8%, para US$ 1,31 bilhão. A companhia atribuiu a redução dos resultados ao desempenho das operações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

Nos primeiros nove meses do ano, o lucro líquido somou US$ 1,649 bilhão, redução de 4%. A receita acumulada cresceu 6%, para US$ 22,922 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado avançou 2%, para US$ 4,845 bilhões. O fluxo de caixa gerado pelas atividades operacionais aumentou 17%, para US$ 1,208 bilhão.

“A Nutrien apresentou crescimento estrutural dos resultados e aumentou a remuneração aos acionistas nos primeiros nove meses de 2026, apoiada por volumes recordes de vendas de potássio, fortes margens brutas de produtos próprios e foco contínuo na excelência operacional”, afirmou Ken Seitz (na foto), presidente e CEO da companhia.

Mercado brasileiro

No Brasil, a Nutrien projeta estabilidade ou crescimento moderado da área plantada com soja e milho. As condições de plantio sustentam essa perspectiva. Entretanto, a disponibilidade restrita de crédito e a fragilidade financeira dos agricultores continuam limitando as compras de insumos.

A empresa também identificou impactos das condições climáticas e de decisões estratégicas sobre as vendas de sementes no mercado brasileiro. Esses fatores, somados a mudanças no mix de produtos, contribuíram para a redução da margem bruta da categoria no terceiro trimestre e no acumulado do ano.

No mercado mundial, a Nutrien manteve sua previsão de embarques de potássio entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas em 2026. Para 2027, a companhia projeta volumes entre 75 milhões e 79 milhões de toneladas. A demanda dos principais países importadores e a relação favorável entre preços dos fertilizantes e produtos agrícolas sustentam as estimativas.

Para os nitrogenados, a companhia prevê que o mercado internacional continue restrito na virada para 2027. Interrupções produtivas e nos fluxos comerciais, preços elevados de energia e a demanda de importadores como Brasil e Índia influenciam esse cenário. O mercado de fosfatados enfrenta restrições no fornecimento de enxofre, elevação de custos e redução das taxas operacionais.

Resultados por segmento

O segmento de potássio registrou EBITDA ajustado de US$ 730 milhões no terceiro trimestre, praticamente estável em relação aos US$ 733 milhões de 2025. As vendas alcançaram 4,073 milhões de toneladas. Nos nove primeiros meses, o volume comercializado atingiu o recorde de 11,526 milhões de toneladas. O EBITDA ajustado acumulado cresceu 9%, para US$ 1,966 bilhão.

O preço líquido médio do potássio alcançou US$ 269 por tonelada entre janeiro e setembro, ante US$ 250 por tonelada no mesmo intervalo de 2025. A companhia atribuiu o avanço à valorização das referências internacionais.

Na divisão de nitrogenados, o EBITDA ajustado trimestral recuou 11%, para US$ 497 milhões. As vendas caíram de 2,827 milhões para 2,354 milhões de toneladas. No acumulado de nove meses, o indicador somou US$ 1,614 bilhão, redução de 1%. A ausência de produção nas unidades de Trinidad e New Madrid e as paradas de manutenção contribuíram para a retração dos volumes.

O segmento de fosfatados apresentou a maior deterioração. O EBITDA ajustado caiu 93% no trimestre, de US$ 122 milhões para US$ 8 milhões. A margem bruta ficou negativa em US$ 50 milhões. A elevação dos custos do enxofre pressionou os resultados, apesar do aumento dos preços internacionais dos produtos.

No varejo de insumos agrícolas, a receita trimestral atingiu US$ 3,443 bilhões, praticamente estável. O EBITDA ajustado recuou 12%, para US$ 203 milhões. A margem bruta de fertilizantes diminuiu diante das vendas internacionais menores e da comercialização de estoques de nitrogenados adquiridos a custos mais elevados.

As vendas de defensivos agrícolas totalizaram US$ 1,519 bilhão no trimestre. A margem bruta dessa categoria subiu de US$ 399 milhões para US$ 413 milhões. Nos primeiros nove meses, as vendas de defensivos cresceram de US$ 5,174 bilhões para US$ 5,411 bilhões.

A Nutrien reduziu sua previsão de EBITDA ajustado para o varejo em 2026. O intervalo passou de US$ 1,75 bilhão a US$ 1,95 bilhão para US$ 1,72 bilhão a US$ 1,85 bilhão.

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