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A licorina atua contra Spodoptera litura ao comprometer o sistema de detoxificação mediado por citocromos P450. O composto, um alcaloide produzido por plantas da família Amaryllidaceae, reduziu a expressão e a função de um grupo de genes CYP6AE. O efeito favoreceu o acúmulo da molécula no inseto e elevou a mortalidade larval em pesquisa científica (DOI: 10.1002/ps.71003).
O estudo avaliou o mecanismo inseticida da licorina com foco na detoxificação de xenobióticos. A substância apresentou toxicidade contra larvas de primeiro ínstar de Spodoptera litura. A dose letal média atingiu 0,55 micrograma por larva.
Em larvas de quinto ínstar, a exposição a uma dose subletal, equivalente à dose letal para trinta por cento dos indivíduos, alterou vias metabólicas. O tratamento também danificou os túbulos de Malpighi e induziu estresse oxidativo.
A licorina reprimiu um conjunto de genes CYP6AE nos túbulos de Malpighi. O grupo incluiu CYP6AE47, CYP6AE50, CYP6AE70, CYP6AE138 e CYP6AE139. A atividade total de P450 caiu para 45 por cento nesse tecido.
Os pesquisadores também usaram RNA de interferência para silenciar, de forma conjunta, os genes do agrupamento CYP6AE. Com o silenciamento, a mortalidade larval sob tratamento com licorina aumentou 30 por cento.
Análises de acoplamento molecular e termoforese em microescala confirmaram ligação direta entre a licorina e o agrupamento CYP6AE. A maior afinidade ocorreu com CYP6AE47. O valor de Kd chegou a 518,5 nanomolar. O resíduo ARG170 pode exercer papel importante na interação entre a licorina e CYP6AE47.
Os resultados indicam um mecanismo inseticida baseado na supressão da detoxificação. A interferência sobre genes CYP6AE reduz a capacidade de metabolizar a licorina. Esse processo contribui para a mortalidade de Spodoptera litura e pode orientar estratégias de manejo contra noctuídeos.
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