Liberações de Trissolcus japonicus reduzem danos em kiwi

Ensaio elevou o parasitismo de ovos de Halyomorpha halys e reduziu danos e queda de frutos

25.08.2026 | 14:59 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Elijah Talamas / USDA
Foto: Elijah Talamas / USDA

Liberações aumentativas do parasitoide Trissolcus japonicus elevaram o parasitismo de ovos de Halyomorpha halys e reduziram os danos da alimentação do percevejo em pomares orgânicos de kiwi ‘Hayward’. O estudo, conduzido no noroeste da China, apontou uma fêmea do parasitoide por massa de ovos e três liberações semanais consecutivas como a estratégia mais eficiente entre os tratamentos avaliados.

Nos ensaios a campo aberto, a proporção média de massas de ovos sentinela parasitadas chegou a 42% nos pomares com liberações. Os controles registraram média de 12%. A incidência média de danos nos frutos alcançou 20% nas áreas tratadas e 40% nos controles. Os pesquisadores também registraram menor severidade dos danos e menor queda de frutos no fim da safra nos pomares com liberação do inimigo natural (doi 10.1127/entomologia/4510).

Praga importante

Halyomorpha halys, conhecido como percevejo-marrom-marmorizado, possui hábito polífago e utiliza mais de 300 espécies vegetais como hospedeiras. Adultos e ninfas perfuram tecidos vegetais e frutos durante a alimentação. No kiwi, o ataque pode provocar suberização dos tecidos internos, deformações, podridões e aborto dos frutos. O inseto já causa problemas em países produtores e representa ameaça para sistemas de produção de frutas.

Os pesquisadores avaliaram primeiro diferentes taxas e frequências de liberação de Trissolcus japonicus em 2021. Os experimentos ocorreram em maio e agosto, períodos associados ao início das duas gerações de Halyomorpha halys na região estudada. Os testes utilizaram ramos de kiwi protegidos por gaiolas de exclusão.

Três proporções entre fêmeas do parasitoide e massas de ovos do percevejo entraram na comparação: uma para uma, uma para duas e uma para três. A proporção de uma fêmea de Trissolcus japonicus para cada massa de ovos de Halyomorpha halys apresentou o maior parasitismo. O aumento no número de massas de ovos disponíveis por fêmea reduziu o efeito do parasitoide e permitiu maior emergência de ninfas do percevejo.

Outro experimento

Outro experimento comparou quatro esquemas de frequência. O tratamento com três liberações consecutivas, em intervalos de sete dias, alcançou os maiores níveis médios de parasitismo. Os valores chegaram a 89% em maio e 90% em agosto. O período de liberação não alterou a proporção de massas parasitadas de forma significativa. O resultado indica desempenho consistente de Trissolcus japonicus nos dois principais períodos de oviposição do percevejo avaliados no estudo.

A partir desses testes, os cientistas estimaram uma taxa operacional próxima de 12.500 fêmeas de Trissolcus japonicus por hectare, com aplicações semanais durante três semanas. O valor surgiu da extrapolação dos ensaios em gaiolas. Os próprios pesquisadores alertam para a necessidade de cautela nessa transposição, pois o confinamento aumenta a possibilidade de contato entre parasitoide e hospedeiro.

Ensaio de campo

O ensaio a campo aberto ocorreu em 2022, em seis pomares orgânicos de kiwi ‘Hayward’ nas localidades de Mei e Zhouzhi, na província chinesa de Shaanxi. Três pomares receberam o parasitoide. Outros três permaneceram sem liberações. Cada área possuía aproximadamente 0,2 hectare e mantinha distância mínima de cem metros das demais.

A disponibilidade limitada de parasitoides impediu a aplicação da dose planejada durante as três semanas. Cada pomar tratado recebeu cerca de 2.500 fêmeas na primeira liberação, 1.250 na segunda e 625 na terceira. Mesmo com a redução progressiva da quantidade liberada, o parasitismo permaneceu superior ao dos controles nas duas primeiras semanas.

Na primeira semana, os pomares com liberação registraram 38% de parasitismo, contra 6,3% nos controles. Na segunda, os valores alcançaram 49% e 14,1%, respectivamente. O parasitismo caiu na terceira semana. Os pesquisadores associam esse resultado à redução na quantidade de parasitoides disponível para a última liberação.

Áreas sem tratamento

A presença natural de Trissolcus japonicus na região também explica o parasitismo observado nas áreas sem tratamento. A espécie ocorre naturalmente no noroeste da China. Por esse motivo, o estudo não contou com pomares totalmente livres do parasitoide. A separação mínima de cem metros buscou reduzir a possibilidade de deslocamento dos indivíduos liberados entre áreas, embora os pesquisadores não descartem completamente essa ocorrência.

A avaliação dos frutos ocorreu entre junho e setembro. A equipe analisou a incidência e a severidade das lesões associadas à alimentação de Halyomorpha halys. O acompanhamento da queda de frutos ocorreu entre meados de agosto e o início de outubro. As áreas com liberações acumularam danos e frutos caídos em ritmo menor em comparação aos controles.

Os resultados fornecem uma referência inicial para programas de manejo integrado em pomares de kiwi. O trabalho sustenta o uso de liberações aumentativas de Trissolcus japonicus sincronizadas com os períodos de oviposição de Halyomorpha halys. Os pesquisadores ressaltam, porém, limitações da extrapolação entre gaiolas e campo e apontam a frequência, a densidade de liberação e o momento de aplicação como fatores centrais para o desempenho do controle biológico.

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