Lagarta-do-cartucho altera intestino após infecção por vírus

Análise transcriptômica revela mudanças rápidas na barreira intestinal e no metabolismo após infecção viral

08.04.2026 | 07:06 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Clemson University, USDA
Foto: Clemson University, USDA

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) apresenta resposta molecular rápida e dinâmica no intestino médio após ingestão de SfMNPV. Estudo identificou alterações estruturais, metabólicas e celulares nas primeiras 24 horas. Resultados indicam remodelação da barreira intestinal, ativação de vias de estresse e transição de apoptose para regeneração tecidual.

A pesquisa utilizou sequenciamento transcriptômico em três momentos: 1, 12 e 24 horas após inoculação oral do vírus. A análise revelou padrão temporal definido na resposta do hospedeiro. O pico de expressão gênica ocorreu em 12 horas. Houve predominância de genes ativados ao longo do período.

O intestino médio sofreu dano estrutural logo na fase inicial. Genes ligados à matriz peritrófica reduziram expressão em 1 hora. Em seguida, componentes da lâmina basal apresentaram queda em 12 horas. Esse processo indica perda de integridade da barreira intestinal. Ao mesmo tempo, genes do citoesqueleto aumentaram expressão entre 12 e 24 horas. Esse padrão sugere reorganização celular associada à infecção viral.

Genes ligados ao estresse

O estudo registrou aumento progressivo de genes ligados ao estresse do retículo endoplasmático. Houve ativação de vias de autofagia e sistema ubiquitina entre 12 e 24 horas. Esses mecanismos indicam intensificação do processamento e degradação de proteínas. A resposta sugere ajuste celular frente ao acúmulo de proteínas virais.

Na fase inicial, o inseto ativou mecanismos de desintoxicação. Transportadores ABC e enzimas UDP-glicosiltransferases apresentaram aumento de expressão em 1 hora. Esse padrão indica tentativa de eliminar compostos tóxicos. A partir de 12 horas, ocorreu mudança funcional. Enzimas antioxidantes, como glutationa S-transferase e superóxido dismutase, passaram a predominar. Esse deslocamento indica aumento do estresse oxidativo durante a infecção.

Morte programada

A resposta celular também envolveu morte programada. Genes ligados à apoptose aumentaram expressão logo na primeira hora. Esse mecanismo pode limitar a disseminação viral. Em fases posteriores, ocorreu ativação de vias de regeneração. Genes associados às vias Wnt, mTOR e Hippo aumentaram expressão entre 12 e 24 horas. Esse processo indica tentativa de reparo do epitélio intestinal.

O número de genes diferencialmente expressos reforça o caráter dinâmico da resposta. Foram identificados 499 genes em 1 hora, 804 em 12 horas e 750 em 24 horas. A maioria dos genes apresentou comportamento específico por fase. Apenas pequena fração manteve expressão constante ao longo do tempo.

Baixa carga viral

Os dados também indicam baixa carga viral nas fases iniciais. A quantidade de leituras virais permaneceu inferior a 0,002% do total. Esse resultado confirma estágio inicial da infecção. Mesmo assim, o hospedeiro apresentou resposta molecular intensa.

A análise aponta interação complexa entre vírus e hospedeiro. O SfMNPV induz alterações estruturais e metabólicas no intestino. O inseto responde com mecanismos de defesa e reparo. Esse equilíbrio define o sucesso da infecção.

Outras informações em doi.org/10.3390/insects17040401

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