Infecções tardias de canela-preta elevam risco de resistência

Estudo mostra como infecções no florescimento da canola contribuem para a reprodução de fungos resistentes a fungicidas

16.10.2026 | 06:49 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Cesar Calderon / USDA APHIS PPQ - Bugwood
Foto: Cesar Calderon / USDA APHIS PPQ - Bugwood

Infecções tardias de Leptosphaeria maculans, agente da canela-preta da canola (Brassica napus), podem contribuir para a evolução da resistência a fungicidas. Pesquisadores da Universidade de Melbourne e da Syngenta demonstraram a capacidade de reprodução sexual do patógeno mesmo após infecções no estágio de 30% de florescimento.

O estudo avaliou inoculações realizadas entre os estágios de cotilédone e florescimento. Os experimentos ocorreram em 2021 e 2023, em casa de vegetação aberta, sob condições próximas às de campo. A equipe utilizou populações sensíveis e resistentes aos fungicidas inibidores da desmetilação (DMI). As resistentes foram identificadas por inserções na região promotora do gene Cyp51, ausentes nas sensíveis.

Todas as plantas receberam a população sensível nos cotilédones. A população resistente foi inoculada em diferentes estágios. O fungo inoculado nos ramos durante o florescimento avançou em direção à base do caule e chegou à coroa em metade das plantas analisadas. Após a maturação dos restos culturais, os pesquisadores identificaram o alelo de resistência nos ascósporos produzidos na geração seguinte. O fenômeno ocorreu em todos os períodos de inoculação.

Outro experimento

Em outro experimento, cada população tinha apenas um tipo de compatibilidade (mating type). Assim, a reprodução sexual só seria possível se as duas se encontrassem dentro da planta. Quando a população resistente foi inoculada no florescimento, a frequência do alelo resistente na geração seguinte foi de 13,2%, o que confirmou o cruzamento. Com as duas populações inoculadas nos cotilédones, a frequência foi de 37%.

Os resultados indicam potencial pressão de seleção durante toda a estação de cultivo. Aplicações tardias de fungicidas, inclusive tratamentos destinados ao controle de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), podem favorecer a seleção de isolados resistentes de Leptosphaeria maculans.

Proteção inicial

Os cientistas discutem restringir o uso de fungicidas à proteção inicial das plântulas e evitar a aplicação foliar entre quatro e seis folhas. Segundo estudos anteriores, infecções após o estágio de cinco folhas não causam perdas significativas de produtividade por cancro na coroa, mas ainda permitem a reprodução do patógeno. A medida favoreceria a reprodução de isolados sensíveis e poderia diminuir a frequência relativa de resistência nas gerações seguintes.

A proposta ainda exige validação. Os experimentos utilizaram uma única cultivar, com baixa resistência quantitativa, inoculações artificiais com ferimento e nenhuma aplicação de fungicidas (doi 10.1002/ps.70866).

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