Massa de ar frio mantém temperaturas baixas no Sul
Sudeste e Norte continuam com previsão de pancadas de chuva nos próximos dias
Pesquisadores da Zhejiang University identificaram o indazapyroxamet como antagonista dos canais TRPV de insetos. Seu aponta um modo de ação distinto daquele atribuído a inseticidas comerciais ligados ao mesmo alvo, como pymetrozine, pyrifluquinazon e afidopyropen.
O indazapyroxamet apresenta alta eficácia contra pragas sugadoras. Entre os alvos citados no estudo aparecem Myzus persicae, Aphis gossypii e Aphis craccivora. Ensaios de campo também indicaram eficácia para culturas como arroz, algodão e frutíferas. Apesar desse desempenho, o alvo molecular e o modo de ação do composto permaneciam pouco esclarecidos.
A equipe avaliou o inseticida por três frentes. Os pesquisadores usaram ensaios de cálcio em células S2 de Drosophila, genética comportamental em Drosophila melanogaster e modelagem estrutural. O conjunto de resultados indicou ação direta sobre o canal TRPV formado pelas subunidades Nanchung e Inactive, conhecidas como Nan e Iav.
Nos ensaios celulares, os cientistas expressaram o canal TRPV de Nilaparvata lugens, a cigarrinha-marrom-do-arroz. A nicotinamida induziu forte influxo de cálcio em células com Nan e Iav. O indazapyroxamet também provocou influxo de cálcio, mas com baixa eficácia. Por isso, classificaram o produto como agonista parcial em vitro.
O resultado central apareceu na etapa de antagonismo. A pré-aplicação de indazapyroxamet suprimiu a resposta induzida por nicotinamida. A inibição ocorreu de forma dependente da concentração. O IC50 calculado alcançou 8,1 nM. O afidopyropen mostrou perfil semelhante, com IC50 de 2,2 nM. Já TFNA-AM não ativou o canal nem inibiu a resposta à nicotinamida.
Os testes comportamentais reforçaram o alvo fisiológico. Moscas adultas de tipo selvagem receberam indazapyroxamet por via alimentar. Depois, os pesquisadores mediram a geotaxia negativa, comportamento usado para avaliar a capacidade de escalada após estímulo mecânico. O inseticida reduziu a capacidade de escalada de forma dependente da dose.
O mesmo efeito não ocorreu em mutantes com perda de função nas subunidades TRPV. Linhagens nan e iav não apresentaram prejuízo detectável na escalada após exposição ao indazapyroxamet. Para os pesquisadores, esse resultado demonstra dependência de canais TRPV funcionais para os efeitos in vivo do inseticida.
A modelagem molecular indicou o provável motivo da ação antagonista. O indazapyroxamet ocupa uma bolsa de ligação sobreposta à região usada por agonistas conhecidos de TRPV. O composto forma interação aromática com o resíduo W322 da subunidade Iav. Porém, não apresenta as interações previstas com resíduos-chave da subunidade Nan, como Y178. Essa ausência pode impedir a estabilização da conformação aberta do canal.
Segundo os pesquisadores, esse padrão explica a baixa ativação direta e a forte inibição da resposta à nicotinamida. O composto parece ocupar o alvo com alta afinidade e manter o canal em uma conformação de baixa atividade. Com isso, impede a ativação posterior pelo agonista endógeno.
Os canais TRPV de insetos participam de mecanossensação, propriocepção, locomoção e percepção gravitacional. A interferência nesses canais afeta a coordenação motora e o comportamento alimentar. Até agora, esse grupo de alvos aparecia associado sobretudo à ativação excessiva por agonistas. O estudo amplia esse entendimento ao demonstrar a possibilidade de controle por antagonismo.
Os cientistas destacam implicações para desenvolvimento de inseticidas e manejo de resistência. Como o indazapyroxamet atua por modulação antagonista, seu comportamento pode diferir daquele observado em agonistas de TRPV. Essa distinção pode ajudar na avaliação de resistência cruzada e no desenho de estratégias de uso em programas de manejo.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.107177
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura