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O silenciamento de dois genes de tripsina reduziu o desenvolvimento de Spodoptera litura e aumentou a suscetibilidade da praga a inseticidas. Em ensaios com folhas de soja e milho, a aplicação de RNA de dupla fita associada ao nanocarreador SPc alcançou eficácia de controle entre 48,1% e 57,4%. A combinação com inseticidas também reduziu valores de concentração letal mediana em tratamentos específicos.
Pesquisadores do Henan Institute of Science and Technology, na China, caracterizaram sete genes de tripsina ligados ao desenvolvimento de Spodoptera litura. As tripsinas atuam como proteases digestivas no intestino dos insetos. O estudo avaliou expressão gênica, silenciamento por interferência de RNA e efeitos sobre crescimento, alimentação, pupação e emergência de adultos.
Os sete genes apresentaram maior expressão na fase larval e concentração predominante no intestino. O trabalho também identificou relação positiva entre expressão desses genes e título de hormônio juvenil. A equipe usou metopreno, análogo do hormônio juvenil, e geraniol para avaliar essa regulação.
No ensaio de interferência de RNA, o RNA de dupla fita foi associado ao SPc, um policátion estrelado usado como nanocarreador. Após 24 horas de alimentação em dieta artificial, a expressão dos sete genes caiu de 33,4% a 54,6% em relação ao controle. Após 48 horas, Sltrypsin2 e Sltrypsin7 ainda mantinham redução significativa, de 28,3% e 42,1%, respectivamente.
O silenciamento de Sltrypsin1, Sltrypsin5 e Sltrypsin7 reduziu o peso larval e a eficiência de conversão do alimento. Os tratamentos também prolongaram o desenvolvimento. A pupação e o peso das pupas caíram após o silenciamento desses três genes. A partir desses resultados, os pesquisadores selecionaram Sltrypsin1 e Sltrypsin7 para os ensaios com folhas de plantas hospedeiras.
Nas folhas de soja, dsSltrypsin1/SPc e dsSltrypsin7/SPc reduziram o peso das lagartas a partir do segundo dia. A eficiência de conversão do alimento também caiu. A taxa de pupação recuou 23,3% com dsSltrypsin1/SPc e 17,5% com dsSltrypsin7/SPc. A proporção de pupas com desenvolvimento normal caiu 40,5% e 42,4%, respectivamente. A emergência de adultos diminuiu 12,7% e 26,0%. A eficácia de controle atingiu 48,1% com Sltrypsin1 e 57,4% com Sltrypsin7.
No milho, os dois tratamentos também reduziram o peso larval a partir do segundo dia. A taxa de pupação caiu 18,9% com dsSltrypsin1/SPc e 18,6% com dsSltrypsin7/SPc. A proporção de pupas com desenvolvimento normal recuou 37,9% e 37,1%. A emergência de adultos caiu 20,2% e 30,4%. A eficácia de controle chegou a 50,5% e 56,2%, respectivamente.
O estudo também avaliou a associação do silenciamento gênico com inseticidas em dieta artificial. dsSltrypsin1/SPc aumentou de forma significativa a suscetibilidade de Spodoptera litura a lufenuron, spinosad e RH-5849. As razões de sinergismo alcançaram 1,957, 1,571 e 1,545, respectivamente. dsSltrypsin7/SPc elevou de forma significativa a suscetibilidade a chlorantraniliprole, com razão de sinergismo de 1,764.
Os resultados indicam participação de Sltrypsin1 e Sltrypsin7 na digestão de soja e milho por Spodoptera litura. O estudo propõe esses genes como alvos para biopesticidas baseados em RNA. A associação com inseticidas pode elevar a eficiência de controle e reduzir a quantidade de produto necessária. Os pesquisadores também apontam potencial para manejo de resistência, mas os testes de aplicação em plantas ocorreram em condições simuladas de campo (doi 10.3390/insects17080861).
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