Fungos e enzima vegetal elevam controle de Tenebrio molitor

Estudo mostra ação sinérgica entre Beauveria bassiana e papaína contra o inseto

02.01.2026 | 08:41 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Clemson University, USDA
Foto: Clemson University, USDA

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras comprovaram que a combinação do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana com a enzima vegetal papaína aumenta de forma expressiva a mortalidade de Tenebrio molitor. O tratamento combinado matou até 89,7% das larvas e 85,9% das pupas em testes de laboratório. O resultado superou as aplicações isoladas do fungo ou da enzima.

O estudo avaliou a compatibilidade entre os dois bioinsumos e o potencial de uso conjunto no manejo integrado de pragas. A papaína não comprometeu a viabilidade do fungo nas primeiras 12 horas de contato. A germinação dos conídios permaneceu próxima de 100% nesse período. Após 48 horas, a viabilidade caiu para cerca de 70% em todos os tratamentos, efeito atribuído ao envelhecimento natural do fungo.

Atividade enzimática

A atividade enzimática da papaína manteve estabilidade inicial. Os níveis permaneceram próximos de 26 a 28 U/mL até 12 horas. A partir de 36 horas, ocorreu redução gradual, mais acentuada quando a enzima ficou em contato com os conídios. Mesmo assim, o desempenho conjunto no controle do inseto aumentou.

Nos bioensaios, a papaína sozinha causou mortalidade de 49,6% em larvas e 47,3% em pupas. O fungo isolado provocou 62,2% de mortalidade larval e 63,6% pupal. A combinação elevou os índices para quase 90% em larvas e acima de 85% em pupas. As diferenças foram estatisticamente significativas.

Danos morfológicos

Os pesquisadores observaram danos morfológicos nos insetos tratados. A papaína provocou dessecação e colapso do corpo. O fungo recobriu as larvas com micélio branco. O uso conjunto intensificou os efeitos, com falhas no desenvolvimento e deformações na fase pupal.

A explicação está na ação complementar. A papaína degrada proteínas da cutícula e enfraquece a barreira externa do inseto. O fungo penetra com mais facilidade e coloniza o hospedeiro. O processo acelera a morte e amplia a eficiência do controle.

O estudo foi realizado por Amanda do Carmo Alves, Ana Carolina Silva, Adriane Toledo da Silva, Nivia Kelly Lima Sales, Ruth Celestina Condori Mamani, Lisseth Bibiana Puentes Figueroa, Elias Honorato Gomes, Debora Castro Toledo de Souza, Rosangela Cristina Marucci e Filippe Elias de Freitas Soares.

Outras informações em doi.org/10.3390/agrochemicals5010002

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