Fungo mostra potencial contra Phthorimaea operculella

Metarhizium robertsii ML-2 causou até 94,5% de mortalidade em larvas em laboratório

05.05.2026 | 16:57 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Merle Shepard, Bugwood
Foto: Merle Shepard, Bugwood

Pesquisadores da Universidade Agrícola de Yunnan identificaram um isolado de Metarhizium robertsii com potencial para o controle biológico da traça-da-batata, Phthorimaea operculella. O fungo, denominado ML-2, causou 94,5% de mortalidade corrigida em larvas e 83,07% em pupas no sétimo dia após a inoculação, na concentração de 1 × 10⁸ conídios/mL. Em ovos, a mortalidade atingiu 20,28%. Os resultados vieram de ensaios em laboratório e indicam maior suscetibilidade de larvas e pupas ao isolado.

A traça-da-batata, Phthorimaea operculella, ataca culturas como batata e tabaco. As larvas perfuram raízes, caules e folhas. Durante o armazenamento, formam galerias nos tubérculos. Esse dano reduz qualidade e valor comercial. O artigo destaca ainda a dificuldade de manejo em campo e armazém, associada ao uso excessivo de inseticidas, ao monocultivo e à capacidade reprodutiva da praga.

O isolado Metarhizium robertsii ML-2 veio de larvas de Phthorimaea operculella naturalmente infectadas, coletadas em uma área de batata no distrito de Malong, província de Yunnan, na China. A equipe purificou o fungo e fez a identificação por características morfológicas e análise molecular das regiões ITS e EF1-α. A análise filogenética agrupou o isolado com Metarhizium robertsii ARSEF2575, com suporte bootstrap de 98%.

Bioensaios

Os bioensaios usaram imersão de ovos, larvas e pupas de Phthorimaea operculella em suspensões de conídios de Metarhizium robertsii ML-2. As concentrações variaram de 1 × 10³ a 1 × 10⁸ conídios/mL. Os pesquisadores monitoraram a mortalidade por sete dias. A viabilidade das suspensões precisava superar 90% para uso nos ensaios. Cada repetição utilizou 25 indivíduos, com três repetições por tratamento.

A resposta variou conforme o estágio de desenvolvimento de Phthorimaea operculella. Larvas de três dias apresentaram a maior sensibilidade. Pupas de um dia também responderam ao fungo. Ovos mostraram baixa mortalidade em comparação aos demais estágios. Segundo os autores, características protetoras do ovo podem reduzir a infecção. Já larvas e pupas possuem membranas intersegmentares e espiráculos. Essas estruturas favorecem a adesão dos conídios e ampliam as oportunidades de penetração de Metarhizium robertsii.

O efeito do fungo também aumentou com o tempo e com a concentração. A partir do quinto dia após a inoculação, todos os tratamentos com suspensão de conídios diferiram do controle em larvas e pupas. No sétimo dia, a mortalidade em larvas variou de 12,01% a 94,50%, conforme a concentração. Em pupas, variou de 21,67% a 83,07%.

Análise dos resultados

A análise pelo modelo tempo-concentração-mortalidade confirmou essa relação. Para larvas de Phthorimaea operculella, os valores de LT50 em 1 × 10⁶, 1 × 10⁷ e 1 × 10⁸ conídios/mL foram de 4,98, 2,89 e 2,34 dias. Para pupas, os valores correspondentes foram de 5,91, 3,70 e 2,72 dias. Na maior concentração, o LT90 para larvas chegou a 4,35 dias. Para pupas, o LT90 não pôde passar por estimativa, pois a mortalidade final ficou abaixo de 90%.

Os autores também avaliaram crescimento e produção de conídios de Metarhizium robertsii ML-2 em dois meios de cultura: PDA e SDAY. O crescimento das colônias não diferiu entre os meios. A esporulação, porém, mudou. O meio PDA produziu cerca de três vezes mais esporos em relação ao SDAY no 15º dia. A diferença pode envolver fontes de carbono e nitrogênio e a relação carbono:nitrogênio do meio.

As imagens do estudo reforçam os sintomas de infecção por Metarhizium robertsii em Phthorimaea operculella. Em larvas, o corpo passou de branco para amarelo-acastanhado e enrijeceu. Depois surgiram hifas brancas e, em seguida, conídios verdes. Em pupas, ocorreu mudança de coloração, crescimento de micélio branco e formação de conídios verdes na superfície. No quinto dia, larvas e pupas mortas apresentavam cobertura de conídios.

Mais informações em doi.org/10.3390/insects17050474

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp