Fungo entomopatogênico mostra alto controle de Euschistus crenator

Isolados de Beauveria bassiana alcançam até 87,5% de mortalidade

05.02.2026 | 10:48 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Lindsey Seastone, USDA
Foto: Lindsey Seastone, USDA

Isolados do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana demonstraram elevado potencial no controle de Euschistus crenator, praga da soja registrada no Norte do Brasil. O efeito ocorreu sem comprometer a atuação do parasitoide de ovos Telenomus podisi. O resultado indica viabilidade de uso conjunto no manejo integrado de pragas.

Em ensaios laboratoriais, todos os isolados avaliados causaram mortalidade em ninfas de segundo ínstar. Os destaques foram LCMAP106, UFSM-01 e a cepa comercial PL63, que atingiram 83,75%, 75% e 87,5% de mortalidade acumulada após dez dias. O tempo letal para 50% da população variou entre 6,4 e 7,3 dias nos tratamentos mais eficientes.

O estudo simulou condições próximas ao campo ao expor os insetos a superfícies contaminadas, em vez de aplicação direta. A abordagem reflete limitações operacionais de pulverização e dependência do contato do inseto com resíduos. A mortalidade aumentou de forma progressiva entre o sexto e o décimo dia.

Além de Beauveria bassiana, um isolado de Penicillium bilaiae alcançou 71,25% de mortalidade. O resultado amplia o espectro de agentes com atividade sobre percevejos associados à soja. A hipótese envolve ação por metabólitos tóxicos, e não por infecção cuticular.

A seletividade ao parasitoide Telenomus podisi permaneceu elevada. As taxas de parasitismo superaram 88% após 24 horas de exposição e ficaram acima de 69% após 72 horas, sem diferenças em relação ao controle. A sobrevivência de fêmeas adultas não variou entre tratamentos.

Os tratamentos influenciaram parâmetros biológicos do parasitoide. Houve redução na emergência da progênie após 72 horas para alguns isolados e alteração temporária na razão sexual após 24 horas. Apesar disso, o desempenho de parasitismo manteve-se alto.

O trabalho foi desenvolvido por Paulo Henrique Martins da Silva, Gustavo Andrade Carneiro e Ricardo Antonio Polanczyk.

Mais informações em doi.org/10.1002/ps.70614

Foto: Lindsey Seastone, USDA
Foto: Lindsey Seastone, USDA

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