Frio amplia custo da resistência ao imidacloprido em mosca-branca

Pesquisa com Bemisia tabaci em algodoeiro identifica atraso no desenvolvimento e redução da reprodução a 15 graus Celsius

15.10.2026 | 08:48 (UTC -3)
Revista Cultivar

Temperaturas baixas ampliaram os custos biológicos associados à resistência da mosca-branca Bemisia tabaci ao imidacloprido. Em ensaios com algodoeiro, uma linhagem resistente apresentou desenvolvimento mais lento, redução da reprodução e menor potencial de crescimento populacional, principalmente a 15 graus Celsius.

Os pesquisadores compararam duas linhagens da espécie críptica mediterrânea MED (biótipo Q), provenientes da mesma população coletada na China. Uma linhagem permaneceu suscetível ao inseticida; a outra passou por seleção com imidacloprido. Testes indicaram resistência 19,34 vezes superior na segunda. Antes das avaliações, os insetos resistentes passaram três gerações sem contato com o produto.

Câmaras climáticas

Os experimentos ocorreram em câmaras climáticas reguladas em 15, 20, 25, 30, 35 e 40 graus Celsius. Cada combinação de temperatura e linhagem começou com cerca de 150 ovos. Os cientistas acompanharam desenvolvimento, sobrevivência, longevidade e fecundidade. Também calcularam indicadores de crescimento populacional.

A 15 graus Celsius, a fase imatura durou, em média, 86,28 dias na linhagem resistente, contra 71,37 dias na suscetível. O tempo do ovo até a primeira postura alcançou 91,29 e 75,30 dias, respectivamente. O período de oviposição das fêmeas resistentes caiu para 3,12 dias, ante 10,85 dias nas suscetíveis.

Nessa temperatura, a taxa líquida de reprodução atingiu 0,63 na linhagem resistente e 3,78 na suscetível. A taxa intrínseca de crescimento dos resistentes ficou negativa, perto de menos 0,01 por dia. A dos suscetíveis permaneceu positiva, em aproximadamente 0,01 por dia. Os valores apontam redução potencial da população resistente nas condições avaliadas.

Temperaturas maiores

A 25 graus Celsius, as duas linhagens apresentaram desempenho mais próximo. O desenvolvimento imaturo demorou 22,33 dias nos resistentes e 22,21 dias nos suscetíveis. As taxas líquidas de reprodução chegaram a 6,00 e 6,10, respectivamente.

A 30 graus Celsius, as diferenças voltaram a crescer nos indicadores reprodutivos. As fêmeas resistentes produziram, em média, 6,91 ovos, ante 11,74 ovos nas suscetíveis. A taxa líquida de reprodução atingiu 2,31 e 4,07, respectivamente.

As duas linhagens não completaram o ciclo a 35 e 40 graus Celsius. Na primeira temperatura, os insetos alcançaram apenas o primeiro estágio ninfal. Na segunda, os ovos não eclodiram.

Os pesquisadores utilizaram 25 graus Celsius como referência para separar os custos básicos da resistência dos efeitos adicionais da temperatura. O cálculo confirmou desvantagens maiores da linhagem resistente a 15 graus Celsius e, em menor intensidade, a 30 graus Celsius. A pesquisa ocorreu sob temperaturas constantes e com linhagens de laboratório. Os resultados não permitem prever diretamente a dinâmica das populações em lavouras sujeitas a oscilações térmicas (doi 10.1016/j.pestbp.2026.107379).

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