Extrato de Phytolacca americana repele traça-das-crucíferas

Estudo indica ação olfativa contra Plutella xylostella e aponta ésteres como compostos ativos

19.06.2026 | 09:37 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Alberto Luiz Marsaro Júnior / Embrapa
Foto: Alberto Luiz Marsaro Júnior / Embrapa

Pesquisadores identificaram efeito repelente do extrato de frutos de Phytolacca americana sobre adultos de Plutella xylostella (popularmente conhecida como traça-das-crucíferas). O trabalho combinou análise química, testes comportamentais em olfatômetro em Y e eletroantenografia. Os resultados indicam ação mediada pelo olfato e associada, principalmente, ao palmitato de etila e ao oleato de etila (DOI: 10.3390/insects17060641).

A pesquisa avaliou o extrato de frutos de Phytolacca americana. Os cientistas partiram da hipótese de presença de defesas químicas na espécie. O estudo buscou alternativas ao controle químico convencional de Plutella xylostella, inseto com histórico de resistência a várias classes de inseticidas.

Os frutos foram coletados em Qingdao, na China, secos à sombra, triturados e submetidos à destilação por arraste de vapor. O processo ocorreu a 100 graus Celsius por oito horas. O rendimento do extrato atingiu 0,32 por cento, em base de peso fresco.

A análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas indicou 11 compostos. Eles representaram de 96 por cento a 99 por cento da composição do destilado final. Três substâncias dominaram a amostra: palmitato de etila, com 26 por cento; 6,10,14-trimetil-2-pentadecanona, com 25,75 por cento; e oleato de etila, com 14,19 por cento.

Machos e fêmeas

Nos bioensaios, o extrato apresentou repelência contra machos e fêmeas de Plutella xylostella. A resposta aumentou conforme a concentração. Na dose de 100 microgramas por microlitro, 117 fêmeas escolheram o braço com hexano no olfatômetro, contra 29 no braço com extrato, de um total de 150 insetos testados. Entre os machos, 119 escolheram o hexano, contra 23 no braço com extrato.

Os compostos majoritários também passaram por testes isolados. O oleato de etila apresentou a repelência mais forte. Na concentração de um micrograma por microlitro, 78 por cento das fêmeas escolheram o controle com hexano, enquanto 21 por cento escolheram o tratamento. O palmitato de etila manteve repelência em diferentes concentrações. Na mesma dose, 70 por cento das fêmeas escolheram hexano, contra 27 por cento no tratamento.

A 6,10,14-trimetil-2-pentadecanona apresentou menor efeito. Na concentração de um micrograma por microlitro, 57 por cento das fêmeas escolheram hexano, enquanto 39 por cento escolheram o tratamento. O estudo classificou sua repelência como inferior à dos dois ésteres.

Respostas antenais

Os registros de eletroantenografia confirmaram respostas antenais aos compostos. O oleato de etila mostrou aumento dependente da concentração e alcançou cerca de 0,56 milivolt em 100 microgramas por microlitro. O palmitato de etila gerou a maior resposta em 10 microgramas por microlitro, com cerca de 0,71 milivolt. A 6,10,14-trimetil-2-pentadecanona produziu respostas mais fracas, com máximo próximo de 0,26 milivolt.

Os pesquisadores também removeram antenas de adultos para avaliar o papel do olfato. Após a remoção, os insetos não apresentaram diferença significativa de escolha entre hexano, oleato de etila e palmitato de etila. O resultado indica papel central das antenas na percepção dos compostos repelentes.

O trabalho também detectou ftalato de dietila no destilado. A substância apresentou resposta antenal e repelência significativa nos testes. Porém, os pesquisadores apontaram provável origem em contaminação por materiais plásticos usados durante o preparo e a análise das amostras. Eles destacaram ausência de controles em branco como limitação importante.

O estudo concluiu que o extrato de frutos de Phytolacca americana oferece evidência laboratorial inicial como repelente olfativo contra Plutella xylostella. Os cientistas defendem novos ensaios em campo e semicampo, além de estudos sobre formulação, persistência ambiental e efeitos sobre organismos não alvo.

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