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A abertura oficial da 51ª Expocitros, da 47ª Semana da Citricultura e do 57º Dia do Citricultor, ocorreu hoje (26/5), no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, em Cordeirópolis (SP). O evento coloca no centro da agenda a necessidade de enfrentar o Huanglongbing (HLB), ampliar a eficiência produtiva, melhorar a gestão de custos e avaliar a sustentação econômica dos pomares no médio prazo.
A programação segue até 29 de maio. O evento reúne lideranças do agro, pesquisadores, produtores, empresas e autoridades públicas. A pauta técnica envolve inovação, sustentabilidade, tecnologia, bioinsumos, energia e planejamento da citricultura brasileira. A edição ocorre com empolgação, após a edição anterior registrar mais de 12 mil visitantes.
O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou a necessidade de alinhar pesquisa, extensão e defesa agropecuária ao resultado do produtor. Segundo ele, a rede pública de apoio à cadeia precisa atuar de forma integrada.
“Eu gosto de produtor com resultado. A linha de pesquisa, a linha de extensão, sempre deve focar a eficiência da produção. O Estado investe em pesquisa, mas ouvir e trabalhar junto com o setor privado se torna essencial para uma visão de médio e longo prazo”, afirmou.
O secretário também tratou do avanço do HLB, conhecido popularmente como greening, e da política pública para manter a citricultura em São Paulo. Ele afirmou que o Estado atua em uma frente de enfrentamento ao problema, com participação da pesquisa e da defesa agropecuária. Melo Filho disse ainda que houve atualização das normas estaduais após a edição de uma normativa federal sobre o tema. Segundo ele, a estratégia busca manter a atividade onde ela já existe e reforçar as ações sanitárias.
A abertura ocorreu em um cenário de transição para a citricultura paulista. A estimativa para a safra 2026/27 indica 255,2 milhões de caixas no estado e no Triângulo/Sudoeste Mineiro. A queda decorre de 17 por cento menos frutos por árvore, presença de greening acima de 50 por cento das árvores, maior taxa de queda de frutos e clima adverso durante florada e enchimento.
Mesmo com uma safra menor, o novo ciclo começa com o mercado ainda abastecido. Os estoques de passagem seguem elevados e limitam reações de preços no curto prazo. A indústria mantém compras seletivas no início da safra, principalmente para frutas precoces. Ao longo da temporada, frutas de meia-estação e tardias podem ganhar maior suporte de preços, com redução de parte da pressão observada em 2025/26.
Dirceu Mattos Júnior, diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, explicou durante a abertura que a citricultura mantém grande relevância econômica, mas enfrenta desafios técnicos, agronômicos e climáticos. Ele citou o HLB, o estresse hídrico e o calor entre os fatores de maior impacto. Segundo Dirceu, em seis das dez últimas safras houve limitações por seca, estresse ou calor.
Dirceu também ressaltou o papel da pesquisa aplicada. Segundo ele, o material genético desenvolvido pelo Centro de Citricultura representa 95 por cento do plantio no Brasil. Ele citou ainda a pré-imunização de mudas como tecnologia ligada à produção do cinturão citrícola, com referência a 85 milhões de caixas de laranja e valor anual de 3 bilhões de reais. Outro ponto citado envolveu avanços em eficiência no uso de fertilizantes, com aumento de 25 por cento na eficiência de uso de nitrogênio.
O diretor-geral do Instituto Agronômico, Marcos Guimarães de Andrade Landell, defendeu uma pesquisa mais conectada às necessidades das cadeias produtivas. Segundo ele, o IAC iniciou um trabalho de prospecção das principais cadeias do agro paulista. Landell afirmou que o instituto busca entregar tecnologias de uso direto pelo produtor e ampliar a integração com a iniciativa privada. Ele citou aumento de duas vezes e meia na captação de recursos privados nos últimos cinco anos, por meio da lei de inovação tecnológica.
A solenidade também incluiu homenagens tradicionais do setor. O Prêmio Centro de Citricultura 2026, com o tema “Inovação para o Futuro da Citricultura”, foi destinado ao Laboratório de Acarologia, AcaroLab, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal. O grupo atua em ensino, pesquisa e extensão desde 1969, com ênfase em manejo integrado de ácaros e pesquisas sobre o patossistema leprose dos citros.
O Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira homenageou Walter dos Santos Soares Filho. O Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura reconheceu Hamilton Humberto Ramos, pesquisador do Instituto Agronômico ligado à tecnologia e segurança na aplicação de defensivos agrícolas. A Homenagem ao Dia do Citricultor teve José de Alencar Matta como representante.
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