Mercado Agrícola - 3.mar.2026
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O melhoramento genético elevou o rendimento do trigo em 73 kg por hectare por ano. Mas quase metade desse avanço não veio do aumento do potencial produtivo. O ganho resulta também do trabalho de manutenção da adaptação das cultivares ao ambiente agrícola, segundo estudo de um grupo de cientistas internacionais.
Pesquisadores analisaram dados de ensaios multilocais conduzidos na Argentina, Estados Unidos, Reino Unido e França. O conjunto reuniu 849 cultivares avaliadas em 17 locais, com 13.003 combinações de cultivar, local, ano e manejo de fungicida.
Os resultados indicam duas fontes distintas de ganho produtivo. O aumento do potencial de rendimento das cultivares modernas respondeu por 40 kg/ha por ano. Já o melhoramento voltado à manutenção da adaptação contribuiu com 33 kg/ha por ano, ao evitar a queda de rendimento observada em cultivares antigas.
Esse processo ocorre porque cultivares mais antigas perdem desempenho ao longo do tempo. Mudanças em clima, patógenos, manejo e condições do solo provocam um fenômeno chamado de “erosão de rendimento”. O lançamento de novas variedades compensa essa perda de adaptação.
Nos ensaios analisados, a produtividade das cultivares de referência caiu 33 kg/ha por ano quando tratadas com fungicida. Sem fungicida, a queda chegou a 64 kg/ha por ano, indicando aumento da suscetibilidade a doenças foliares ao longo do tempo.
A análise também identificou forte impacto do controle químico de doenças. Em média, a aplicação de fungicidas elevou o rendimento em 1.285 kg/ha, equivalente a 20% da produtividade das parcelas sem tratamento.
Os pesquisadores utilizaram a média das dez cultivares mais produtivas em cada ano de ensaio como indicador do potencial de rendimento. O estudo não encontrou tendência climática relevante que explicasse mudanças de produtividade ao longo do período avaliado.
A conclusão central aponta um viés frequente em estudos de progresso genético. Comparações diretas entre cultivares antigas e modernas em condições atuais podem superestimar os ganhos no potencial produtivo, pois ignoram a erosão de rendimento das variedades antigas.
O trigo ocupa 217 milhões de hectares no mundo e fornece cerca de 20% das calorias e proteínas consumidas pela população global. Ganhos contínuos de produtividade reduzem a pressão por expansão agrícola e emissões associadas ao uso da terra.
Os autores destacam que programas de melhoramento precisam perseguir dois objetivos simultâneos. Um deles busca aumentar o potencial produtivo. O outro mantém adaptação genética frente à evolução de doenças, manejo e ambiente.
Mais informações em doi.org/10.1038/s41467-026-69936-6
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