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Abelhas coletadas em margens de estrada apresentaram maiores níveis de dano oxidativo em lipídios, enquanto amostras de áreas orgânicas registraram os menores valores. A informação consta em pesquisa norte-americana, que pesquisa avaliou abelhas melíferas (Apis mellifera) e pequenas abelhas carpinteiras (Ceratina calcarata) em três tipos de paisagem no centro de Ohio: lavouras convencionais, lavouras orgânicas e habitats próximos a rodovias.
O trabalho mediu marcadores de estresse oxidativo em adultos e larvas. Os cientistas também analisaram resíduos de pesticidas em pólen por cromatografia gasosa e líquida acopladas à espectrometria de massas. A comparação indicou associação entre o perfil de resíduos nas paisagens e diferentes respostas fisiológicas nas abelhas.
Nas abelhas melíferas adultas, o dano lipídico médio atingiu 1,67 nmol/mg em áreas de estrada. O valor ficou acima dos registros em áreas orgânicas, com 1,17 nmol/mg, e convencionais, com 0,96 nmol/mg. A diferença apresentou significância estatística. O mesmo padrão apareceu em Ceratina calcarata. Nesta espécie, o dano lipídico médio chegou a 1,84 nmol/mg nas margens de estrada, contra 1,20 nmol/mg nas áreas orgânicas e 1,65 nmol/mg nas áreas convencionais.
As larvas de Apis mellifera também responderam à paisagem. Amostras coletadas em margens de estrada tiveram média de 1,05 nmol/mg para dano lipídico. Em áreas convencionais, o valor chegou a 0,85 nmol/mg. Em áreas orgânicas, caiu para 0,57 nmol/mg. Os autores observaram diferenças significativas entre as áreas orgânicas e os outros dois ambientes.
O estudo avaliou ainda a carbonilação de proteínas, outro indicador de dano oxidativo. Em abelhas melíferas adultas, a média atingiu 20,49 nmol/mg em paisagens convencionais, 18,48 nmol/mg em margens de estrada e 15,12 nmol/mg em áreas orgânicas. A diferença entre lavouras convencionais e orgânicas apresentou significância. Em Ceratina calcarata, os valores médios ficaram próximos entre as três paisagens, sem diferença estatística.
A análise de resíduos mostrou maior concentração total e maior diversidade de pesticidas no pólen coletado em fazendas convencionais. As áreas orgânicas e os habitats de estrada apresentaram menores concentrações.
O estudo também alerta para a complexidade das respostas fisiológicas em campo. Tamanho das propriedades, diversidade floral, disponibilidade de forragem, qualidade nutricional do pólen, microclima, intensidade de manejo e poluentes veiculares podem influenciar o estresse oxidativo. Os pesquisadores tratam os resultados como associações entre paisagem e resposta fisiológica, não como prova de causalidade direta.
Outras informações em doi.org/10.1111/phen.70046
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