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A doença dos custos altos, que está matando a indústria brasileira, começa a contaminar também o setor agropecuário do País. Segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, essa doença precisa ser combatida com todo o rigor, porque é resultado da pesada carga tributária, da má qualidade na regulamentação do setor, dos altos preços da energia elétrica e de problemas ligados à infraestrutura e logística da produção.
Mendonça de Barros, hoje consultor e integrante de conselhos de empresas, participou da mesa redonda ‘Os desafios para alimentar nove bilhões de pessoas em uma economia de baixo carbono’, que abriu os trabalhos técnicos do Fórum Internacional de Estudos estratégicos para o Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima - FEED 2011, promovido pela Confederação da Agricultura e da Agropecuária do Brasil (CNA), no centro de Convenções da FECOMERCIO, em São Paulo.
Mesmo fazendo tal alerta, Mendonça de Barros mostrou-se bastante otimista com os rumos da agropecuária brasileira. “Vivemos nos últimos 40 anos desafios tão grandes ou maiores que esses. Serão encontradas soluções, porque se trata de um setor eficiente, que já enterrou vários equívocos. Entre eles, o de que a produção com foco no mercado externo impediria o adequado abastecimento interno e que o etanol, a partir da cana-de-açúcar, prejudicaria a produção de alimentos.
O economista explicou que os avanços verificados no setor se devem não só à abundância de terra e água, mas também à qualificação da mão-de-obra rural e ao desenvolvimento de um pacote tecnológico que possibilitou um sistema produtivo sofisticado, refletidos nos preços praticados ao consumidor, que não param de apresentar queda há 35 anos. Para ele, essa queda nos preços dos alimentos foi mais importante, em termos de distribuição de renda e combate à pobreza, do que programas como o Bolsa Família.
“Não só estamos abastecendo adequadamente o mercado interno, como nossas exportações estão sendo salvadoras em termos de comportamento da balança comercial”, registrou. Além da redução dos custos, que depende de medidas corajosas governamentais na área tributária e de pesados investimentos em infraestrutura, Mendonça de Barros afirmou que o Brasil precisa avançar velozmente na proteção de suas matas ciliares e também na regulamentação que permita o pagamento pela prestação pelos produtores de serviços ambientais.
“Já provamos que podemos aumentar a produção a partir da maior produtividade e não da expansão da fronteira agrícola e que podemos transferir tecnologia nessa área para outros países, principalmente da África. Agora é trabalhar para disseminar, tornar mais abrangente as boas práticas que deixem claro que não há contradição em se aumentar a produção e, ao mesmo tempo, atender às exigências ambientais”, concluiu.
Também participaram da mesa redonda, Deborah La Franchi, presidente da empresa norte americana “Soluções Estratégicas para o Desenvolvimento” e o representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO no Brasil, o moçambicano Hélder Muteia.
La Franchi destacou a necessidade de se disseminar mecanismos de financiamentos para que médios e pequenos produtores adotem práticas agrícolas que respeitem o meio ambiente. Segundo ela, os grandes produtores naturalmente já têm acesso a financiamentos e também recursos próprios para fazerem as mudanças necessárias. A executiva destacou que o cooperativismo agropecuário brasileiro é um exemplo para o mundo, ao permitir que produtores tenham acesso facilitado a insumos e também a mercados.
Já o representante da FAO destacou que há 915 milhões de pessoas passando fome no mundo, principalmente na África e Sul da Ásia. E que um dos motivos é a desertificação e deterioração de solos e pastagens, além da volatilidade dos preços dos alimentos associada aos problemas relacionados à produção e comercialização do petróleo.
Muteia ressaltou que a crise financeira mundial a partir de 2008, provocou uma grande deterioração nos índices relativos à segurança alimentar em 2009, ainda não superada. “Em 2050, o planeta terá nove bilhões de habitantes, dois bilhões a mais que hoje. Para que haja segurança alimentar é preciso não só um crescimento de 70% na produção, mas uma melhor distribuição do que é produzido, o que só será possível com a redução dos níveis de pobreza”.
Mais informações sobre o FEED 2011 no site:
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