Conab prevê 367,1 milhões de toneladas de grãos em 2026/27

Soja e milho avançam; levantamento registra ocorrências fitossanitárias em lavouras de arroz, feijão e trigo

15.10.2026 | 10:32 (UTC -3)
Revista Cultivar

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção brasileira de 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, crescimento de 1,4% sobre a temporada anterior. A área cultivada deve alcançar 85,4 milhões de hectares, avanço de 2,3%. O primeiro levantamento, divulgado hoje, aponta aumento na produção de soja e milho, estabilidade no algodão e redução nas estimativas de arroz e feijão. A colheita do trigo de 2026 prossegue, com registros de doenças fúngicas em diferentes estados.

Situação da soja

A soja poderá alcançar 181,6 milhões de toneladas, aumento de 0,7% e novo recorde nacional. A área prevista soma 49,3 milhões de hectares, expansão de 1,4%. A produtividade média estimada atinge 3.683 quilogramas por hectare, recuo de 0,8%. A Conab destaca a menor expansão percentual de área dos últimos 20 anos, caso a estimativa se confirme. O estreitamento das margens e a menor atratividade para incorporar novas áreas limitam os investimentos.

Até 2 de outubro, os produtores haviam semeado 9,4% da área de soja, acima da média de 8,8% dos cinco anos anteriores. No Paraná, o índice alcançava 28,5%; em Mato Grosso, 14,4%. As exportações de grãos poderão somar 117,96 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento interno tem projeção de 63,76 milhões de toneladas. No campo fitossanitário, o vazio sanitário busca reduzir a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática. A medida restringe a presença de plantas vivas de soja durante períodos determinados.

Situação do milho

No milho, a produção total das três safras deve atingir 148 milhões de toneladas, aumento de 2,4%. A área prevista cresce 4,9%, para 23,7 milhões de hectares. A primeira safra concentra a maior expansão proporcional: 10,7% na área, estimada em 4,54 milhões de hectares, com produção de 32,1 milhões de toneladas. A segunda safra poderá produzir 113,3 milhões de toneladas em 18,5 milhões de hectares. Para a terceira, a projeção chega a 2,7 milhões de toneladas.

O plantio do milho primeira safra alcançava 30,8% da área nacional em 2 de outubro. No Rio Grande do Sul, havia atingido 78%, seguido por Paraná, com 72%, e Santa Catarina, com 65%. A demanda das indústrias de etanol de milho contribui para a ampliação do cultivo em alguns estados. No Rio Grande do Sul, a Conab aponta a necessidade de monitorar a cigarrinha-do-milho e os percevejos, além de registrar ocorrências pontuais de lagarta-rosca. Em Santa Catarina, o estado fitossanitário inicial das lavouras apresentava avaliação favorável.

Situação do algodão

A área de algodão deverá crescer 3,7%, para 2,09 milhões de hectares. A produção de pluma tem estimativa de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%, com rendimento médio de 1.986 quilogramas por hectare. Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí e Minas Gerais concentram as expectativas de expansão. A semeadura ainda não havia começado na data do levantamento. Parte dos estados cumpria o vazio sanitário, medida destinada a interromper a permanência do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) nas áreas de produção.

Situação do trigo

O trigo de 2026 tem produção estimada em 5,73 milhões de toneladas, queda de 27,2% em relação a 2025. A área cultivada recuou 21,1%, para 1,93 milhão de hectares. Ao final de setembro, pouco mais de um terço da área nacional havia sido colhido. Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais já tinham encerrado os trabalhos. No Paraná, a colheita alcançava 62%; em São Paulo, 55%.

A Conab relata giberela e brusone em regiões produtoras de trigo. Em Santa Catarina, há registros de oídio, ferrugens, manchas foliares e doenças de espiga. Em Goiás, a brusone contribuiu para produtividades inferiores às estimadas em lavouras irrigadas. Mato Grosso do Sul também registrou giberela e brusone, com redução de rendimento. O levantamento mantém provisoriamente os números do trigo de 2026 como referência para 2027; a primeira estimativa específica da próxima safra de inverno deverá sair em fevereiro.

Situação do arroz

Para o arroz, a Conab projeta 10,75 milhões de toneladas, redução de 2,9%, apesar do aumento de 0,8% na área, para 1,53 milhão de hectares. O arroz irrigado ocupará 1,26 milhão de hectares, retração de 0,4%, com produção prevista de 10,05 milhões de toneladas. No sequeiro, a área crescerá 7,1%, para 270,9 mil hectares, e a produção poderá atingir 700,1 mil toneladas.

A semeadura nacional do arroz alcançava 19,7% no início de outubro. No Rio Grande do Sul, principal produtor, o plantio somava aproximadamente 22% da área estimada. Santa Catarina registrava 27%, e o Paraná, 70%. No Maranhão, a Conab relata presença de cigarrinhas e incidência de fungos, inclusive brusone, em lavouras de arroz irrigado. Segundo o levantamento, as ocorrências permaneciam sob controle.

Situação do feijão

O feijão deverá produzir 2,93 milhões de toneladas no conjunto das três safras, queda de 0,7%. A área total chega a 2,55 milhões de hectares, expansão de 0,2%. A primeira safra tem previsão de 963,1 mil toneladas, com 808,2 mil hectares cultivados. A segunda poderá alcançar 1,26 milhão de toneladas, e a terceira, 703,6 mil toneladas. Até 2 de outubro, a semeadura da primeira safra havia avançado sobre 13,1% da área prevista, com 39% no Paraná e 36% no Rio Grande do Sul.

No balanço da terceira safra de feijão de 2026, a Conab registra maior incidência de fungos do gênero Fusarium em lavouras de Mato Grosso. Em Minas Gerais, a pressão da mosca-branca (Bemisia tabaci) diminuiu na comparação com a temporada anterior, mas a mosca-minadora (Liriomyza spp.) provocou danos pontuais em áreas tardias do noroeste mineiro. O vazio sanitário do feijão, adotado em Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais, busca controlar a mosca-branca, transmissora do vírus do mosaico-dourado. Em Santa Catarina, o boletim também aponta necessidade de vigilância contra tombamento de plântulas, podridões radiculares e outras doenças no início do ciclo.

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