Chuvas de outubro elevam riscos para lavouras do Paraná

Excesso de umidade pode atrasar a semeadura da soja e comprometer a qualidade de trigo e cevada em colheita

02.10.2026 | 17:10 (UTC -3)
Inmet, edição Revista Cultivar

Os produtores rurais do Paraná devem ficar atentos aos altos volumes de chuva previstos nos primeiros dez dias de outubro, com pico de intensidade entre domingo (4/10) e terça-feira (6/10). O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que, na maior parte das regiões agrícolas do estado, os acumulados devem variar entre 70 mm e 150 mm. 

As situações mais severas são esperadas em grande parte do estado, onde a precipitação pode superar os 150 mm, principalmente nas porções oeste e sul. Além dos elevados volumes de chuva, a previsão indica excedente hídrico no solo em grande parte das regiões agrícolas do estado, com valores acima de 50 mm. Esse cenário sugere que a água disponível poderá superar a capacidade de armazenamento do solo, favorecendo condições de saturação e encharcamento, principalmente em áreas com drenagem mais deficiente.

Figura 1: previsão de chuva acumulada entre os dias 02 e 09 de outubro (mm); fonte: Inmet
Figura 1: previsão de chuva acumulada entre os dias 02 e 09 de outubro (mm); fonte: Inmet

Esse elevado volume de chuva previsto coincide com um momento estratégico do calendário agrícola: o fim do vazio sanitário e o início do plantio da safra de verão 2026/2027 (soja e milho). De acordo com dados atualizados do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 28% da área destinada à soja já foi semeada, com maior avanço na região oeste do estado, especialmente em Cascavel e Toledo. O encharcamento do solo tende a paralisar o tráfego de máquinas, atrasando a dessecação e a semeadura. Em áreas recém-semeadas, há risco de enxurradas, lavagem de sementes e soterramento, o que pode levar à perda de estande.

A situação é ainda mais crítica para os produtores que ainda possuem lavouras de inverno, como trigo e cevada, em campo. Em algumas áreas, as culturas encontram-se na fase final de enchimento de grãos ou já no início da colheita, como ocorre em regiões de Guarapuava e Ponta Grossa, aumentando a vulnerabilidade das lavouras aos impactos do excesso de umidade.

Neste contexto, as chuvas frequentes registradas na última semana já vinham deteriorando as condições das plantas, reduzindo a qualidade do produto e elevando as perdas. A continuidade das precipitações acende o alerta, pois a alta umidade não só favorece a germinação das sementes na espiga e a perda de qualidade de grãos. Além disso, períodos prolongados de alta umidade favorecem condições para o desenvolvimento e a disseminação de doenças fúngicas, como giberela e brusone, especialmente em lavouras ainda em fase suscetível.

Recomendações técnicas

Especialistas consultados pelo Inmet orientam suspender o tráfego de maquinário pesado em solos encharcados para evitar a compactação. Além disso, reforçam a necessidade de revisar curvas de nível, manter práticas conservacionistas para conter a erosão e monitorar sanidade vegetal nas áreas afetadas por doenças.

Figura 2: mapa de excedente de água no solo (mm), entre os dias 02 e 07 de outubro; fonte: Inmet/Sisdagro
Figura 2: mapa de excedente de água no solo (mm), entre os dias 02 e 07 de outubro; fonte: Inmet/Sisdagro

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