Campo magnético afeta Spodoptera

Estudo avaliou exposição de larvas, pupas e adultos a 180 militeslas por 20, 40 e 60 minutos

19.06.2026 | 15:03 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Biologische Bundesanstalt fur Land und Forstwirtschaft - Bugwood
Foto: Biologische Bundesanstalt fur Land und Forstwirtschaft - Bugwood

A exposição de Spodoptera littoralis a um campo magnético de 180 militeslas aumentou mortalidade, deformações, atraso no desenvolvimento e alterações genéticas em diferentes fases do inseto. O efeito cresceu com o tempo de exposição. Os pesquisadores avaliaram intervalos de 20, 40 e 60 minutos em larvas, pupas e adultos. O estudo também registrou redução na emergência de adultos, na fecundidade das fêmeas e na eclosão dos ovos (DOI: 10.3390/insects17060637)

O trabalho buscou avaliar o potencial do campo magnético como ferramenta complementar no manejo integrado de pragas.

Ensaios com larvas

Nos ensaios com larvas de terceiro instar, a exposição ao campo magnético prolongou o período larval. As larvas tratadas por 20, 40 e 60 minutos apresentaram duração média de 15,9, 16,8 e 18,1 dias, respectivamente. O controle registrou 14,6 dias. A fase de pré-pupa também aumentou. Ela chegou a 3,3 dias após 60 minutos de exposição, ante 2,3 dias no controle.

A mortalidade larval subiu conforme o período de exposição. Os valores chegaram a 11 por cento, 13 por cento e 21 por cento nos tratamentos de 20, 40 e 60 minutos. O controle registrou 4 por cento. A proporção de larvas deformadas seguiu o mesmo padrão. Ela alcançou 9 por cento, 11 por cento e 18 por cento nos três tempos de exposição. No controle, o índice ficou em 3 por cento.

As pupas originadas de larvas expostas também sofreram efeitos. A mortalidade pupal atingiu 4 por cento, 7 por cento e 9 por cento nos tratamentos de 20, 40 e 60 minutos, contra 2 por cento no controle. A deformação em pupas chegou a 7 por cento, 12 por cento e 16 por cento, respectivamente. O controle registrou 4 por cento.

Pupas de um dia

Quando os pesquisadores expuseram pupas de um dia ao campo magnético, a duração da fase pupal aumentou. O período passou de 8,6 dias no controle para 9,4 dias com 20 minutos, 11,3 dias com 40 minutos e 14,5 dias com 60 minutos. O tratamento mais longo ampliou essa fase em 5,9 dias.

A mortalidade de pupas tratadas também cresceu. Ela alcançou 17 por cento, 26 por cento e 32 por cento nos tempos de 20, 40 e 60 minutos. O controle apresentou 4 por cento. A emergência de adultos caiu de 96 por cento no controle para 83 por cento, 74 por cento e 68 por cento nos mesmos períodos de exposição.

Deformação em adultos

A deformação em adultos emergidos de pupas expostas aumentou nos tratamentos mais longos. O índice chegou a 8 por cento após 40 minutos e 11 por cento após 60 minutos. O controle registrou 3 por cento. O tratamento de 20 minutos apresentou 2 por cento.

Nos adultos, o campo magnético afetou parâmetros reprodutivos. O período de pré-oviposição passou de 2,6 dias no controle para 2,9, 3,1 e 4,9 dias nos tratamentos de 20, 40 e 60 minutos. O período de oviposição caiu de 9,3 dias no controle para 9,0, 6,6 e 4,0 dias.

Longevidade das fêmeas

A longevidade das fêmeas diminuiu nos maiores tempos de exposição. O controle apresentou 14,3 dias. As fêmeas expostas por 40 e 60 minutos viveram 12,7 e 10,2 dias. O tratamento de 20 minutos registrou 14,5 dias.

A fecundidade também caiu. As fêmeas do controle produziram de oito a 13 massas de ovos. As fêmeas expostas produziram de sete a dez massas após 20 minutos, de seis a dez após 40 minutos e de três a oito após 60 minutos. A eclosão dos ovos caiu de 91 por cento no controle para 77 por cento, 60 por cento e 53 por cento.

Os pesquisadores avaliaram alterações no DNA por marcadores ISSR, sigla em inglês para repetições de sequência simples internas. Eles usaram 12 primers. Os marcadores geraram 168 bandas em larvas, 178 em adultos e 223 em pupas. As análises indicaram polimorfismo e mudanças genéticas associadas aos tratamentos.

A matriz de similaridade variou de 61,6 por cento a 74,1 por cento em larvas, de 59,8 por cento a 68,5 por cento em adultos e de 36,2 por cento a 49 por cento em pupas. Segundo os pesquisadores, a menor similaridade nas pupas indica maior sensibilidade dessa fase. O trabalho associa essa resposta à remodelação intensa durante a metamorfose e à maior demanda por replicação e reparo de DNA.

Mudanças genômicas

Os pesquisadores afirmam que os dados de ISSR devem ser interpretados como mudanças genômicas associadas ao tratamento, não como prova direta de um mecanismo mutagênico específico. O estudo sugere a necessidade de novos ensaios com teste do cometa e quantificação de enzimas antioxidantes para separar efeitos diretos no DNA de efeitos mediados por espécies reativas de oxigênio.

Os resultados indicam potencial uso do campo magnético como componente em programas de manejo integrado de Spodoptera littoralis. Os pesquisadores recomendam estudos de longo prazo sobre efeitos populacionais, desempenho reprodutivo, possível desenvolvimento de resistência e consequências ecológicas.

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