Cacau tradicional do Peru revela quatro novas linhagens

Estudo com marcadores SNP identifica grupos genéticos em lavouras indígenas amazônicas e aponta uso em conservação e melhoramento

07.07.2026 | 07:52 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Lambert Motilal / University of the West Indies - CC-BY 4.0
Foto: Lambert Motilal / University of the West Indies - CC-BY 4.0

Pesquisadores identificaram quatro novas linhagens genéticas em cacaueiros tradicionais cultivados em áreas indígenas e amazônicas do Peru. O estudo analisou 390 árvores de Theobroma cacao de oito departamentos peruanos e usou 192 marcadores SNP para avaliar identidade genética, diferenciação entre grupos, filogenia e ancestralidade (DOI 10.1371/journal.pone.0351690).

As novas populações receberam associação com quatro clados. O Clado I recebeu a denominação Chuncho 1. O Clado II recebeu a denominação Awajun. O Clado III recebeu a denominação Porcelana. O Clado IV recebeu a denominação Chuncho 2. Os dados indicam relação dessas linhagens com grupos genéticos já conhecidos do cacau. Chuncho 2 apresentou associação com Contamana. Chuncho 1 apresentou associação com Púrus. Awajun e Porcelana apresentaram associação com Nacional.

A pesquisa avaliou materiais dos departamentos de Amazonas, Ayacucho, Cajamarca, Cusco, Madre de Dios, Piura, San Martín e Ucayali. As árvores amostradas tinham cerca de 50 anos, segundo conhecimento tradicional dos agricultores. O material representa linhagens tradicionais não melhoradas e germoplasma primário silvestre ou semissilvestre.

Mistura genética

Os pesquisadores encontraram mistura genética variável entre os materiais. As amostras continham integrantes puros das novas populações e indivíduos com ancestralidade combinada com Amelonado, Contamana, Criollo, Curaray, Guiana, Iquitos, Marañon, Nacional, Nanay e Púrus. O resultado reforça a presença de diversidade regional no cacau peruano. Cada região manteve composição genética própria, mesmo com relação genética entre departamentos.

Quatro clados concentraram 313 das 390 árvores analisadas. Esse total corresponde a 80,3 por cento das amostras. O Clado I reuniu 45 amostras, sobretudo de Cusco e Ayacucho. O Clado II reuniu 52 amostras, com predominância de Amazonas. O Clado III reuniu 99 amostras, com presença forte de Amazonas e Piura. O Clado IV reuniu 117 amostras, com predominância de Cusco e Ayacucho.

A análise de identidade encontrou 25 grupos de amostras duplicadas. A maior parte desses grupos ocorreu dentro do mesmo departamento. Esse padrão indica propagação local de genótipos, possivelmente por uso recorrente de plantas selecionadas por agricultores. Piura, Ayacucho e Cusco concentraram a maior frequência de duplicatas.

Banco de dados

O estudo também comparou as amostras peruanas com um banco de dados do Cocoa Research Centre, da University of the West Indies. Esse banco reúne mais de 27 mil amostras de 32 países. Apenas uma correspondência apareceu: a amostra CCA015, de Condorcanqui, no Amazonas, correspondeu ao cultivar CCN 51.

A ancestralidade do CCN 51 recebeu nova interpretação no trabalho. O cultivar apresentou composição estimada em 15 por cento Amelonado, 13 por cento Criollo, 25 por cento Iquitos e 45 por cento Awajun. Segundo os pesquisadores, esse resultado muda a leitura da origem genética do material e relaciona parte relevante de sua ancestralidade a uma das novas linhagens peruanas.

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