RS Safra 2026/27: milho chega a 78% da área prevista

Informativo da Emater/RS aponta impactos do excesso de umidade e das chuvas sobre as culturas de verão e a qualidade dos grãos de inverno

22.10.2026 | 17:40 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Adriane Bertoglio Rodrigues
Foto: Odacir Decol
Foto: Odacir Decol

A semeadura de milho alcançou 78% da área prevista para a safra 2026/27 no Rio Grande do Sul, estimada em 896.401 hectares. O avanço ocorre em ritmo desigual, com algumas regiões próximas da conclusão e outras ainda no início dos trabalhos. Os dados são do Informativo Conjuntural da Emater/RS, divulgado nesta quinta-feira (22/10).

Nas lavouras implantadas, 98% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo e apresentam, em geral, bom crescimento, com folhas verde-escuras, colmos espessos e bom enraizamento. Os 2% restantes já ingressaram na fase reprodutiva, com plantas em floração.

A implantação do milho para silagem evoluiu pouco no período, em razão da umidade do solo e do escalonamento do plantio. A Emater/RS projeta 369.389 hectares cultivados e produtividade de 38.392 kg/ha. As adubações nitrogenadas de cobertura estão em andamento nas áreas com condições para a entrada de máquinas.

Soja tem apenas 3% da área semeada

A semeadura da soja segue lenta e alcança 3% dos 6,64 milhões de hectares projetados para a safra no estado. A elevada umidade do solo, as chuvas frequentes, as baixas temperaturas e a pouca radiação solar limitaram os trabalhos e retardaram o desenvolvimento das primeiras lavouras.

O período mais firme favoreceu a preparação das áreas e a entrada de máquinas em algumas regiões, mas o avanço continua condicionado às condições de umidade do solo. Em áreas semeadas antecipadamente, as chuvas volumosas prejudicaram a emergência, embora os estandes permaneçam, em geral, satisfatórios. O monitoramento também já detectou esporos de ferrugem-asiática em plantas de soja guaxa em diferentes pontos do estado.

Arroz e feijão avançam de forma desigual

No arroz, a semeadura também avançou lentamente, limitada pela umidade dos solos e pelas dificuldades de tráfego. As baixas temperaturas atrasaram a germinação e a emergência, provocando desuniformidade em algumas lavouras e dificultando o planejamento de práticas de manejo. A área projetada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) para a safra 2026/27 é de 861.779 hectares, com produtividade inicial estimada pela Emater/RS em 8.741 kg/ha.

Já o feijão da primeira safra apresenta diferenças regionais no ritmo de implantação. Nas áreas estabelecidas, o desenvolvimento inicial é lento em locais com temperaturas mais baixas, enquanto as lavouras mais adiantadas começam a formar os primeiros trifólios. A estimativa é de 24.587 hectares cultivados, com produtividade inicial de 1.759 kg/ha.

Trigo tem 19% da área colhida

Entre as culturas de inverno, o trigo se aproxima do fim do ciclo, com 19% das lavouras colhidas. A maior parte das áreas está em enchimento de grãos (35%) ou maturação (45%). Embora as produtividades observadas sejam satisfatórias em parte das regiões, a qualidade dos grãos está abaixo das expectativas iniciais em algumas localidades, com redução do peso hectolitro (PH), além de grãos avariados e chochos.

A atualização da estimativa da Emater/RS aponta área cultivada de 763.121 hectares, redução de 34,56% em relação aos 1,16 milhão de hectares registrados em 2025. A produtividade projetada é de 2.833 kg/ha, 4,88% acima da estimativa inicial, mas 5,55% abaixo da obtida no ano passado. A produção deve alcançar 2,16 milhões de toneladas, queda de 37,48% em relação às 3,46 milhões de toneladas colhidas em 2025.

A colheita da aveia-branca também está avançada, mas persistem problemas de qualidade, principalmente relacionados ao baixo PH, que restringe a comercialização para a indústria. A área estimada é de 382.637 hectares, com produtividade de 2.177 kg/ha e produção de 832.848 toneladas. Os números representam reduções de 2,67% na área e de 10,99% na produção em comparação a 2025.

Canola cresce em área, apesar das perdas climáticas

A canola está em maturação e colheita, mas o excesso de chuvas, o granizo e os ventos fortes reduziram o potencial produtivo, sobretudo no Noroeste. A abertura de síliquas, a debulha natural e os danos provocados pelos temporais ampliaram as perdas nas áreas mais atingidas.

Apesar das adversidades, a cultura registra expansão expressiva. A área efetivamente cultivada foi estimada em 379.887 hectares, alta de 117,83% em relação a 2025. A produtividade projetada é de 1.340 kg/ha, redução de 17,23% ante a estimativa inicial. A produção deve chegar a 508.863 toneladas, avanço de 78,25% sobre o volume colhido no ano passado.

A carinata também se aproxima do fim do ciclo, com lavouras em maturação e colheita nas áreas mais precoces. A área revisada pela Emater/RS passou para 14.564 hectares, 17,78% acima da projeção inicial. A produtividade está estimada em 1.572 kg/ha, com produção de 22.888 toneladas.

Na cevada, predomina a fase reprodutiva, e a colheita já ocorre em algumas áreas. A qualidade dos grãos, entretanto, preocupa a indústria cervejeira. Parte dos lotes foi desclassificada por não atender aos padrões exigidos, e cargas recebidas apresentam índices de germinação e tamanho dos grãos abaixo do desejado, além de teores elevados de desoxinivalenol (DON), micotoxina associada principalmente a fungos do gênero Fusarium.

A área cultivada foi estimada em 21.591 hectares, queda de 32,55% em relação a 2025. A produtividade projetada é de 3.114 kg/ha, e a produção deve alcançar 67.242 toneladas, retração de 42% na comparação anual. Segundo a Emater/RS, a redução da área plantada é o principal fator para a queda na produção.

Condições climáticas afetam hortaliças e frutas

Nas áreas de olerícolas, o excesso de umidade favorece a ocorrência de doenças fúngicas e o apodrecimento de raízes tuberosas em solos mais pesados, enquanto cultivos em áreas arenosas e bem drenadas apresentam bom desenvolvimento. Em Uruguaiana, produtores reduziram as áreas previstas para mandioca, de 16 para 10 hectares, e batata-doce, de 25 para 18 hectares, diante dos riscos associados ao excesso de umidade.

Na cultura da moranga cabotiá, as chuvas frequentes, a umidade elevada e as temperaturas baixas dificultaram o preparo do solo e atrasaram o plantio em algumas regiões, além de aumentar a necessidade de tratamentos fitossanitários.

Entre as frutíferas, o melão está em florescimento e enchimento de frutos na região de Santa Rosa, com produtores realizando adubações nitrogenadas de cobertura. Já os pomares comerciais de noz-pecã iniciaram a floração em diferentes regiões do estado. Os produtores se preparam para realizar tratamentos fitossanitários, enquanto condições de tempo seco são importantes para favorecer a polinização.

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