Bioinsumos e drones ampliam estratégias para o algodão no semiárido

Tecnologias apresentadas pela Embrapa na ExpoCariri 2026 incluem controle biológico do bicudo e tolerância ao estresse hídrico

05.11.2026 | 16:04 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Cristina Tordin

Pesquisadores da Embrapa apresentaram tecnologias para aumentar a eficiência e a sustentabilidade da cotonicultura no semiárido durante a ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro, no Ceará. As estratégias incluem bioinsumos, controle biológico de pragas, manejo integrado e uso de drones para monitoramento e liberação de organismos benéficos.

O projeto CaatÁgua busca identificar bactérias associadas a plantas da Caatinga capazes de aumentar a tolerância das culturas à deficiência hídrica. Segundo o pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, dezenas de isolados apresentaram resultados promissores em experimentos com tomateiro. Também estão em andamento pesquisas com fungos entomopatogênicos. Em laboratório, isolados de Metarhizium provocaram mortalidade superior a 80% dos bicudos expostos.

Outra tecnologia apresentada foi o Auras, desenvolvido pela Embrapa em parceria com a NOOA. O produto utiliza a bactéria Priestia aryabhattai, que atua em associação com as raízes e contribui para a resposta das plantas ao estresse climático. Na cultura do algodão, os resultados apresentados indicaram proteção produtiva média de aproximadamente 18 arrobas por hectare em condições de estresse.

No manejo do bicudo-do-algodoeiro, o pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque destacou o vazio sanitário como medida essencial para interromper a reprodução da praga entre as safras. Também recomendou preservar inimigos naturais e utilizar inseticidas conforme os resultados do monitoramento, evitando aplicações preventivas sucessivas.

O pesquisador Tardelly de Andrade Lima apresentou drones adaptados à liberação de parasitoides, como Catolaccus grandis, utilizado no controle do bicudo. O equipamento permite cobrir um hectare em aproximadamente oito minutos. Drones multiespectrais também auxiliam na identificação de áreas com alterações no vigor das plantas, direcionando as inspeções de campo.

As iniciativas incluem alternativas para reduzir custos de produção de parasitoides e ampliar o acesso às tecnologias pela agricultura familiar. O Campo Experimental da Embrapa em Barbalha deverá atuar como polo de testes e validação dessas soluções.

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