Mercado Agrícola - 3.mar.2026
Guerra no Oriente Médio eleva petróleo e pressiona custos no agro
A Bayer encerrou 2025 com crescimento de 1,1% nas vendas globais ajustadas por câmbio e portfólio. A receita do grupo somou 45,575 bilhões de euros. O EBITDA antes de itens especiais caiu 4,5%, para 9,669 bilhões de euros. O lucro líquido ficou negativo em 3,620 bilhões de euros, impactado por provisões ligadas a litígios. A empresa projeta estabilidade em vendas e resultados em 2026, na base ajustada por câmbio.
A divisão Crop Science registrou vendas de 21,622 bilhões de euros em 2025. O avanço alcançou 1,1% na base ajustada. O desempenho foi puxado por milho. O segmento Corn Seed & Traits cresceu 13,2% no ano, com ganhos em todas as regiões. A empresa atribuiu o resultado ao desempenho de produtos, à ampliação de área plantada e à resolução de acordo de licenciamento com a Corteva na América do Norte.
Sem o efeito do acordo, o crescimento em milho ficaria pouco abaixo de 10%. A empresa informou que cerca de 300 milhões de euros reforçaram o resultado do quarto trimestre com receitas de licenciamento. Outros 450 milhões de euros devem impactar soja no primeiro trimestre de 2026.
A área de sementes de hortaliças avançou 7,5%, com aumento de preços e volumes em quase todas as regiões.
Herbicidas mantiveram estabilidade, com alta de 0,5%. Produtos à base de glifosato repetiram o patamar do ano anterior, com variação positiva de 0,1%.
Fungicidas recuaram 4,8%, com queda na América do Norte e Ásia-Pacífico. Inseticidas diminuíram 12,2%, após expiração do registro de Movento (espirotetramato) na Europa. Sementes e traits de soja caíram 7,7%. Algodão recuou 22,9%. A empresa relacionou o desempenho à anulação do registro de produtos à base de dicamba nos Estados Unidos.
O EBITDA antes de itens especiais da Crop Science somou 4,188 bilhões de euros. O valor representa queda de 3,2%. A margem ficou em 19,4%, estável frente a 2024. O resultado refletiu crescimento em milho e economia com programas de eficiência. Pressões regulatórias, despesas com incentivos e ações estratégicas afetaram o desempenho.
A companhia avançou com o programa de melhoria de rentabilidade da divisão agrícola. A estratégia inclui racionalização de portfólio e revisão de ativos. A empresa anunciou saída de quase 200 produtos de proteção de cultivos e desinvestimentos em ingredientes ativos. O plano prevê ganho superior a 1 bilhão de euros em margem no ciclo de cinco anos.
Para 2026, a Bayer projeta crescimento entre 0% e 3% nas vendas globais, na base ajustada por câmbio e portfólio. O EBITDA antes de itens especiais deve variar entre 9,6 bilhões e 10,1 bilhões de euros. O fluxo de caixa livre deve ficar negativo entre 1,5 bilhão e 2,5 bilhões de euros, com desembolso de cerca de 5 bilhões de euros ligado a litígios.
Na divisão agrícola, a empresa prevê crescimento de 1% a 4% na base ajustada. A margem EBITDA antes de itens especiais deve alcançar entre 20% e 22%. A companhia indicou foco em disciplina de custos, precificação e simplificação do portfólio.
Para glifosato, a empresa projeta queda de 2% a 6% nas vendas em 2026. A Bayer citou redução de tarifas sobre importações chinesas nos Estados Unidos e recuo de preços genéricos abaixo da mediana histórica. A companhia informou que seguirá com ajustes de preço conforme o mercado.
A empresa também reportou redução da dívida financeira líquida para 29,843 bilhões de euros ao fim de 2025, queda de 8,5% frente ao ano anterior. O fluxo de caixa livre somou 2,084 bilhões de euros. A proposta de dividendo ficou em 0,11 euro por ação.
A divisão Crop Science estrutura sua estratégia no Five-Year Framework, com foco em crescimento de vendas, expansão de margem e geração sustentável de caixa. A meta prevê retorno a margens EBITDA antes de itens especiais na faixa de 20% ao longo do ciclo, com reforço da resiliência operacional e maior captura de valor da inovação.
A companhia planeja lançar dez produtos com potencial de vendas acima de 500 milhões de euros nos próximos dez anos. Entre as soluções em desenvolvimento, destacam-se o sistema Preceon Smart Corn, voltado ao milho de porte baixo, e a plataforma Vyconic para soja tolerante a herbicidas de nova geração. A empresa também prepara o lançamento do herbicida Icafolin-metil, com novo modo de ação para controle pós-emergente em grandes culturas.
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