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Aplicações de Bacillus thuringiensis reduziram a viabilidade de ovos de Spodoptera frugiperda e causaram alta mortalidade em lagartas neonatas originadas dos ovos tratados. O estudo avaliou a linhagem Bacillus thuringiensis aizawai HD-68 e o bioinseticida Xentari. Os tratamentos provocaram inviabilidade embrionária entre 27% e 41%. A mortalidade das neonatas superou 70% nas primeiras avaliações e ultrapassou 85% ao final de sete dias (DOI 10.1016/j.jip.2026.108711).
Os pesquisadores testaram três concentrações de Xentari: 3,00 gramas por litro, 4,25 gramas por litro e 5,00 gramas por litro. A equipe também avaliou a linhagem HD-68 na concentração de 3 x 10⁸ esporos por mililitro. As concentrações do produto comercial seguiram as recomendações do fabricante para o controle de lagartas de Spodoptera frugiperda.
Massas com 20 ovos, coletadas entre zero e 24 horas após a postura, permaneceram imersas nas suspensões durante 30 segundos. Cada tratamento reuniu dez repetições, com 200 ovos no total. Os pesquisadores mantiveram o material a 25 graus Celsius, umidade relativa de 70% e fotoperíodo de 12 horas de luz e 12 horas de escuro.
Após 72 horas, o Xentari causou inviabilidade de 27% dos ovos na concentração de 3,00 gramas por litro. A taxa subiu para 35% com 4,25 gramas por litro e alcançou 41% com 5,00 gramas por litro. A linhagem HD-68 provocou 31% de inviabilidade.
O controle com água deionizada autoclavada registrou 10,5% de inviabilidade. O tratamento com água e Tween 80 a 0,05% apresentou 9%. Os tratamentos com Bacillus thuringiensis diferiram dos dois controles. As três concentrações de Xentari e a linhagem HD-68 não apresentaram diferenças estatísticas entre si.
As análises microscópicas identificaram alterações no desenvolvimento embrionário. Ovos tratados apresentaram deformações nas regiões torácica e abdominal. Parte deles continha massas amorfas e escurecidas, sem embriões visíveis.
Os danos apareceram também no epitélio intestinal dos embriões. O tratamento com 5,00 gramas por litro de Xentari provocou células colunares degeneradas e rupturas no tecido após 48 horas. Ao final de 72 horas, todos os tratamentos com a bactéria causaram vacuolização citoplasmática e degeneração celular no intestino.
A microscopia eletrônica mostrou esporos próximos à micrópila e aos aerópilos dos ovos. Os esporos mediram entre 1,050 e 1,850 micrômetro. A micrópila apresentou diâmetro próximo de 6 micrômetros. Os aerópilos mediram entre 1,670 e 2,294 micrômetros nos ovos tratados.
Essas dimensões sustentam a hipótese de entrada de esporos e proteínas inseticidas por essas estruturas. O trabalho, porém, não demonstrou a presença de esporos ou proteínas Cry no interior dos ovos. Os pesquisadores indicam a necessidade de novos estudos para confirmar as rotas de entrada e os mecanismos envolvidos nos efeitos embrionários.
As lagartas neonatas oriundas dos ovos tratados apresentaram baixa sobrevivência. Nas primeiras 24 horas de avaliação, a probabilidade de sobrevivência ficou abaixo de 30% nos tratamentos com Xentari e HD-68. Os controles mantiveram sobrevivência acima de 90% no mesmo período.
Após sete dias, a mortalidade acumulada nos tratamentos com Bacillus thuringiensis superou 85%. A probabilidade final de sobrevivência ficou abaixo de 15%. O controle não atingiu 50% de mortalidade durante o período experimental.
O contato com o córion contaminado pode explicar parte da mortalidade. Durante a eclosão, as neonatas rompem a camada externa do ovo com as peças bucais e consomem parte desse material. Esse comportamento pode favorecer a ingestão de esporos e proteínas inseticidas. As lagartas permaneceram nas massas de ovos até as observações diárias. Por isso, o estudo não separou os efeitos da exposição embrionária dos efeitos causados pela ingestão do córion.
Os resultados ampliam o conhecimento sobre a ação de Bacillus thuringiensis nos estágios iniciais de Spodoptera frugiperda. O uso desse agente microbiano costuma priorizar a fase larval. O trabalho aponta possível contribuição adicional sobre ovos e neonatas.
A aplicação em campo ainda exige validação. Diferentes estágios do inseto coexistem nas lavouras, e fatores ambientais podem alterar a eficiência dos tratamentos. Os pesquisadores destacam a importância do monitoramento da oviposição, da fenologia da cultura e da tecnologia de aplicação para integrar bioinseticidas ao manejo da lagarta-do-cartucho.
O trabalho foi realizado pelos cientistas Fabiana Santana Machado, Bruno Vinícius Daquila, Edimar Peterlini, Helio Conte e Ricardo Antonio Polanczyk.
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