Artigo: Cacaueiro Nativo e o sistema agroflorestais na região Amazônia

15.09.2011 | 20:59 (UTC -3)

O cacaueiro da Amazônia (Theobroma cacao L.) faz parte da família Sterculiaceae. Está espécie arbórea quando adulta apresenta em media dez metros de altura, com folhas 30 cm de comprimento por 15 cm de largura, coriáceas e de coloração verde-clara em ambas as faces. Apresenta caulifloria, onde diferentemente das folhas as flores, são extremamente pequenas, de coloração avermelhadas e inodoras. A parte comercial, os frutos, pode medir até 25 cm, quando maduras, apresentam tonalidade esverdeada, amarela ou roxa. Em um fruto pode ser produzido aproximadamente 40 sementes, estas sempre envolvidas por uma polpa viscosa e esbranquiçada. Um indivíduo de cacau, em condições ótimas de desenvolvimento, pode ultrapassar 100 anos de vida, onde no terceiro ano de vida inicia sua frutificação, entretanto atinge seu pico máximo de produção com oito anos em medias, mantendo o mesmo por cerca de 30 anos.

O cacaueiro é apontado como uma das primeiras espécies florestais no Brasil a adquirir elevado valor de mercado. Seguindo o histórico do ciclo econômico no qual os produtivos extrativos estão submetidos, o cacaueiro nativo da Amazônia foi domesticado para produção em cultivos e levado para a região sul da Bahia, zona de escape do fungo causador da vassoura-de-bruxa, Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer, sobretudo na região de Ilhéus, na qual ganhou grande notoriedade e porção do mercado.

Os plantios comerciais na Região Amazônica, diante da demanda, ainda são incipientes. Mesmo sendo uma espécie nativa da Amazônia a sua produção é baixa se não for tratada como uma espécie agrícola que demanda manejo deste o plantio a colheita dos frutos. Assim, tendo em vista que a Amazônia é pouco competitiva em relação a outras regiões do país e do mundo quando se trata da exploração de recursos florestais domesticáveis, como o cacaueiro nativo, faz-se necessário modificar algumas ideias lançadas por estudiosos, como exemplos que a Amazônia sempre perderá suas riquezas para outras regiões do país e do mundo, ou que suas riquezas serão sempre exploradas por pessoas de outras regiões.

Diante disso, o crescimento da produção do Cacaueiro nativo em sistemas agroflorestais (SAFs), além de ser eficiente no aumento da produção de frutos, vem a atender os requisitos do “Marketing Verde” (uma ferramenta estratégica para atrair consumidores preocupados com a temática dos produtos ambientalmente corretos) diante de uma sociedade mundial que vem se tornando cada dia mais preocupada com o meio ambiente.

Acontece que os cultivos de cacau, após anos seguidos de plantios e replantios sucessivos deixaram o cacau sem “sustância”, como dizem muitos produtores. Uma alternativa para evitar a perca da qualidade do sabor das sementes na Amazônia é sistemas sustentáveis de uso da terra que combinam, de maneira simultânea ou em sequência, a produção de cultivos agrícolas com plantações de árvores frutíferas ou florestais e/ou animais, utilizando a mesma unidade de terra e aplicando técnicas de manejo que são compatíveis com as práticas culturais da população local, o SAFs.

A sustentabilidade é uma das principais características presente aos sistemas agroflorestais o qual pode ser utilizado e atenderá as necessidades produtivas do cacaueiro nativo. Ainda, a implantação desse sistema, para boa parte da região amazônica, pode atender ao mesmo tempo três funções:

- Social, pois viabiliza a fixação do homem no campo, pelo aumento da mão de obra ao aumento ao longo de dono ano, isto proporcionado pela não sazonalidade do sistema;

- Ecológica, promovida pelas práticas conservacionistas e manutenção da diversidade local, incluindo ainda, algumas outras espécies vegetais e ou animais;

- Econômica, pela produtividade do sistema ao longo de todo anos ano.

Eng. Florestal e Mestranda em Ciências Florestais

Eng. Agrônomo, Mestre e Doutorando em Ciências Florestais

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp
Agritechnica 2025