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A AGCO registrou receita líquida de US$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 14,3% ante igual período de 2025. Sem o efeito positivo da conversão cambial, o crescimento chegou a 4,7%. A companhia também elevou a projeção de lucro ajustado por ação para 2026, agora estimado em cerca de US$ 6,00.
O lucro líquido reportado alcançou US$ 0,76 por ação no trimestre. O lucro líquido ajustado ficou em US$ 0,94 por ação. No primeiro trimestre de 2025, esses valores haviam atingido US$ 0,14 e US$ 0,41 por ação, respectivamente. A margem operacional ajustada avançou de 4,1% para 4,6%.
A empresa informou desempenho positivo em vendas e margens no período, mesmo com demanda agrícola considerada fraca em vários mercados. Segundo Eric Hansotia, presidente e CEO da AGCO, a companhia superou o mercado, com destaque para equipamentos de alta potência e agricultura de precisão.
Por região, Europa e Oriente Médio apresentaram o maior peso no resultado. As vendas líquidas somaram US$ 1,6 bilhão, avanço de 20,3% sobre o primeiro trimestre de 2025. Sem câmbio, a alta ficou em 9,0%. A região alcançou margem operacional de 16,2%. O resultado teve apoio do aumento de volumes, do mix de produtos e da produção maior. Alemanha e Reino Unido puxaram o crescimento. Turquia e França registraram queda.
Na América do Norte, as vendas líquidas chegaram a US$ 406,4 milhões, alta de 10,0%. Excluído o câmbio, o crescimento atingiu 9,0%. A empresa citou aumento nas vendas unitárias, principalmente em tratores de alta potência, equipamentos para feno e pulverizadores. Mesmo assim, o resultado operacional caiu US$ 26,8 milhões ante o mesmo período de 2025. A margem operacional permaneceu negativa, pressionada por custos de insumos relacionados a tarifas.
Na América Latina, as vendas líquidas recuaram para US$ 211,7 milhões. A queda reportada foi de 17,3%. Sem o efeito favorável do câmbio, a retração chegou a 30,3%. A AGCO atribuiu o desempenho à demanda menor da indústria, com queda nas vendas em todas as categorias de produtos. O resultado operacional caiu US$ 47,4 milhões, afetado por vendas menores e preços negativos.
Na Ásia / Pacífico / África, a receita líquida somou US$ 124,0 milhões, avanço de 31,2%. Em moeda constante, o crescimento atingiu 20,9%. A empresa informou alta nas vendas na Austrália e na África do Sul, com compensação parcial por quedas em grande parte dos mercados asiáticos. O resultado operacional aumentou US$ 6,7 milhões.
O mercado global de máquinas agrícolas manteve sinais mistos no início de 2026. Na América do Norte, as vendas no varejo de tratores da indústria caíram 8% nos três primeiros meses do ano, sem considerar tratores compactos. As vendas de colheitadeiras recuaram 7%. A AGCO apontou maior pressão nas categorias de maior potência, em meio a custos elevados de insumos, mudanças na demanda por exportação de grãos e fundamentos econômicos ainda restritivos para produtores.
No Brasil, as vendas no varejo de tratores da indústria caíram 10% no acumulado até março. As vendas de colheitadeiras recuaram 38%. A empresa citou demanda menor por tratores maiores, compensada em parte por melhora em equipamentos pequenos e médios. O país colhe safras próximas de recordes, mas a rentabilidade segue pressionada por custos de produção elevados, principalmente fertilizantes importados. Custos financeiros altos, crédito restrito e dinâmicas políticas também devem limitar a demanda em 2026.
Na Europa Ocidental, as vendas no varejo de tratores da indústria cresceram 7% no trimestre. As vendas de colheitadeiras caíram 5%. A AGCO informou expansão na maior parte dos mercados europeus. A renda agrícola de 2025, com suporte de produtores de leite e pecuaristas, e a frota envelhecida formam a base para uma demanda em 2026 um pouco acima da registrada em 2025.
A companhia também anunciou uma mudança nos acordos de financiamento nos Estados Unidos e no Canadá. Em 30 de abril de 2026, a AGCO assinou dois contratos para vender suas participações de 49% nas joint ventures AGCO Finance LLC e AGCO Finance Canada, Ltd. a subsidiárias do Rabobank por cerca de US$ 190 milhões. Os recursos serão direcionados à recompra de ações. A empresa informou ainda a assinatura de acordos para manter a oferta de soluções de financiamento a produtores e concessionários.
O conselho de administração aprovou aumento no dividendo trimestral regular, de US$ 0,29 para US$ 0,30 por ação. A AGCO também planeja iniciar US$ 350 milhões em recompras de ações no segundo trimestre de 2026.
Para o ano, a AGCO projeta receita líquida entre US$ 10,5 bilhões e US$ 10,7 bilhões. A margem operacional ajustada deve ficar entre 7,5% e 8,0%. A empresa espera volumes de produção relativamente estáveis a levemente menores.
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