Abrapa destaca gestão, qualidade e fibras naturais durante Congresso do Algodão

Gustavo Piccoli aponta custos, abertura de mercados e valorização do algodão como prioridades do setor

22.09.2026 | 10:58 (UTC -3)
Revista Cultivar

A gestão dos custos, a qualidade da fibra, a abertura de mercados e a valorização do algodão como fibra natural ganharam destaque na abertura do 15º Congresso Brasileiro de Algodão. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, defendeu decisões criteriosas diante de juros elevados, custos de produção, incertezas climáticas e tensões comerciais.

Piccoli afirmou que o setor precisa avaliar investimentos, acompanhar a demanda e trabalhar com diferentes cenários. Na avaliação apresentada durante o congresso, competitividade envolve eficiência, qualidade, sustentabilidade econômica e capacidade de gestão.

Mercado internacional

O presidente da Abrapa também destacou a trajetória do algodão brasileiro no mercado internacional. Segundo ele, o Brasil ocupa hoje a posição de maior exportador mundial da fibra. O resultado decorre de décadas de investimentos no campo, pesquisa, profissionalização das propriedades, organização das associações estaduais e avanço tecnológico.

A qualidade ganhou espaço nessa trajetória. Piccoli informou que mais de 97% do algodão brasileiro atende aos melhores padrões de exigência da indústria têxtil mundial. O dirigente também citou o programa brasileiro de qualidade, com dez anos de atividade. Segundo o discurso, a evolução técnica levou o Brasil à condição de provedor de material de referência utilizado em rodadas interlaboratoriais internacionais.

A expansão das vendas para a Índia apareceu como exemplo do avanço comercial. Piccoli relatou embarques próximos de oito mil toneladas há dois anos. O volume alcançou 350 mil toneladas no último ano comercial citado no discurso. Segundo ele, mais de um terço do algodão importado pelo mercado indiano tem origem brasileira.

Ambiente econômico

Apesar da expansão, o dirigente pediu atenção ao ambiente econômico. Fertilizantes, defensivos, transporte, energia e petróleo permanecem entre os componentes com impacto direto sobre os custos. Juros altos também elevam o custo do capital e influenciam decisões de investimento.

Conflitos internacionais, tensões comerciais e incertezas climáticas completam o cenário apresentado pela Abrapa. Essas variáveis podem alterar preços, custos e fluxos internacionais de comércio. Para Piccoli, o produtor não controla grande parte desses fatores, mas pode melhorar a qualidade das decisões dentro da propriedade.

O presidente da entidade também relacionou a competitividade do algodão brasileiro ao ambiente institucional. Ele citou segurança jurídica, estabilidade regulatória, infraestrutura, logística, crédito, seguro rural e instrumentos de gestão de riscos. A redução da vulnerabilidade brasileira na oferta de fertilizantes também entrou na agenda.

Piccoli defendeu avanço dos bioinsumos e uma implementação da reforma tributária capaz de preservar a competitividade da cadeia. No comércio exterior, apontou a necessidade de manter a abertura de mercados, diversificar destinos e ampliar o reconhecimento internacional do algodão produzido no País.

Fibras naturais

A valorização das fibras naturais formou outro eixo do discurso. O tema do congresso destaca o algodão brasileiro como fibra natural dentro de uma jornada baseada em propósito, qualidade e transparência. A Abrapa pretende ampliar o debate sobre sustentabilidade, fibras sintéticas e microplásticos com apoio de ciência, pesquisa, informação e transparência.

Piccoli classificou o algodão como fibra natural, renovável e biodegradável. Também associou a produção brasileira ao uso de tecnologia, rastreabilidade e padrões internacionais de sustentabilidade. Para o dirigente, pesquisa e inovação precisam avançar junto com o conhecimento sobre os impactos relacionados às fibras sintéticas e aos microplásticos.

O presidente da Abrapa ressaltou ainda a importância da atuação conjunta dos diferentes elos da cadeia. Produtores, pesquisadores, indústria, fornecedores, especialistas e entidades participam dos debates do congresso. A proposta envolve construir respostas comuns para desafios econômicos, tecnológicos, comerciais e ambientais enfrentados pelo setor.

Segundo Piccoli, o crescimento da cotonicultura brasileira exigiu investimento, pesquisa e organização. A permanência do País entre os principais participantes do mercado global dependerá agora da qualidade das decisões, da eficiência produtiva e da capacidade de coordenação entre os agentes da cadeia.

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