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A gestão dos custos, a qualidade da fibra, a abertura de mercados e a valorização do algodão como fibra natural ganharam destaque na abertura do 15º Congresso Brasileiro de Algodão. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, defendeu decisões criteriosas diante de juros elevados, custos de produção, incertezas climáticas e tensões comerciais.
Piccoli afirmou que o setor precisa avaliar investimentos, acompanhar a demanda e trabalhar com diferentes cenários. Na avaliação apresentada durante o congresso, competitividade envolve eficiência, qualidade, sustentabilidade econômica e capacidade de gestão.
O presidente da Abrapa também destacou a trajetória do algodão brasileiro no mercado internacional. Segundo ele, o Brasil ocupa hoje a posição de maior exportador mundial da fibra. O resultado decorre de décadas de investimentos no campo, pesquisa, profissionalização das propriedades, organização das associações estaduais e avanço tecnológico.
A qualidade ganhou espaço nessa trajetória. Piccoli informou que mais de 97% do algodão brasileiro atende aos melhores padrões de exigência da indústria têxtil mundial. O dirigente também citou o programa brasileiro de qualidade, com dez anos de atividade. Segundo o discurso, a evolução técnica levou o Brasil à condição de provedor de material de referência utilizado em rodadas interlaboratoriais internacionais.
A expansão das vendas para a Índia apareceu como exemplo do avanço comercial. Piccoli relatou embarques próximos de oito mil toneladas há dois anos. O volume alcançou 350 mil toneladas no último ano comercial citado no discurso. Segundo ele, mais de um terço do algodão importado pelo mercado indiano tem origem brasileira.
Apesar da expansão, o dirigente pediu atenção ao ambiente econômico. Fertilizantes, defensivos, transporte, energia e petróleo permanecem entre os componentes com impacto direto sobre os custos. Juros altos também elevam o custo do capital e influenciam decisões de investimento.
Conflitos internacionais, tensões comerciais e incertezas climáticas completam o cenário apresentado pela Abrapa. Essas variáveis podem alterar preços, custos e fluxos internacionais de comércio. Para Piccoli, o produtor não controla grande parte desses fatores, mas pode melhorar a qualidade das decisões dentro da propriedade.
O presidente da entidade também relacionou a competitividade do algodão brasileiro ao ambiente institucional. Ele citou segurança jurídica, estabilidade regulatória, infraestrutura, logística, crédito, seguro rural e instrumentos de gestão de riscos. A redução da vulnerabilidade brasileira na oferta de fertilizantes também entrou na agenda.
Piccoli defendeu avanço dos bioinsumos e uma implementação da reforma tributária capaz de preservar a competitividade da cadeia. No comércio exterior, apontou a necessidade de manter a abertura de mercados, diversificar destinos e ampliar o reconhecimento internacional do algodão produzido no País.
A valorização das fibras naturais formou outro eixo do discurso. O tema do congresso destaca o algodão brasileiro como fibra natural dentro de uma jornada baseada em propósito, qualidade e transparência. A Abrapa pretende ampliar o debate sobre sustentabilidade, fibras sintéticas e microplásticos com apoio de ciência, pesquisa, informação e transparência.
Piccoli classificou o algodão como fibra natural, renovável e biodegradável. Também associou a produção brasileira ao uso de tecnologia, rastreabilidade e padrões internacionais de sustentabilidade. Para o dirigente, pesquisa e inovação precisam avançar junto com o conhecimento sobre os impactos relacionados às fibras sintéticas e aos microplásticos.
O presidente da Abrapa ressaltou ainda a importância da atuação conjunta dos diferentes elos da cadeia. Produtores, pesquisadores, indústria, fornecedores, especialistas e entidades participam dos debates do congresso. A proposta envolve construir respostas comuns para desafios econômicos, tecnológicos, comerciais e ambientais enfrentados pelo setor.
Segundo Piccoli, o crescimento da cotonicultura brasileira exigiu investimento, pesquisa e organização. A permanência do País entre os principais participantes do mercado global dependerá agora da qualidade das decisões, da eficiência produtiva e da capacidade de coordenação entre os agentes da cadeia.
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