Resíduos de glifosato no solo geram resposta adaptativa em tomate

Plantas-filhas de tomate expostas ao herbicida apresentam menor sensibilidade ao produto

15.01.2026 | 13:46 (UTC -3)
Revista Cultivar

Resíduos de glifosato no solo provocam resposta intergeracional em plantas de tomate. Plantas-filhas oriundas de genitores expostos ao herbicida cresceram mais e sofreram menos estresse fisiológico quando novamente expostas ao produto. O resultado indica adaptação herdável.

A pesquisa avaliou tomateiro como planta modelo. Os cientistas cultivaram plantas parentais em solo com glifosato nas doses de 0, 2,5 e 5,0 mg por quilo. As sementes produzidas por essas plantas originaram uma nova geração. Essa geração cresceu por 30 dias em solo com novas doses do herbicida. O experimento mediu crescimento, biomassa, produção de espécies reativas de oxigênio e atividade antioxidante.

Crescimento reduzido

O glifosato reduziu crescimento de raízes e parte aérea em todas as plantas. A intensidade do efeito variou conforme a origem das sementes. Plantas-filhas de pais não expostos sofreram as maiores reduções, sobretudo nas raízes. Já plantas-filhas de pais expostos mantiveram maior alongamento radicular, principalmente na menor dose testada.

O estudo também avaliou estresse oxidativo. Plantas de pais não expostos acumularam mais peróxido de hidrogênio e apresentaram maior peroxidação lipídica, sinais de dano celular. O sistema antioxidante foi ativado, mas não evitou o prejuízo fisiológico. Em contraste, plantas oriundas de pais expostos mantiveram o equilíbrio redox e não mostraram danos oxidativos relevantes.

Enzimas antioxidantes

A atividade de enzimas antioxidantes variou conforme o histórico parental. Em plantas de pais expostos, a necessidade de ativar múltiplas enzimas foi menor. A catalase ganhou destaque apenas na progênie de plantas submetidas à maior dose de glifosato, o que contribuiu para reduzir compostos tóxicos derivados do estresse.

Os resultados indicam que a resposta das plantas ao glifosato depende tanto da dose atual quanto da exposição da geração anterior. O trabalho sugere a existência de memória fisiológica herdável, possivelmente associada a ajustes metabólicos e mecanismos epigenéticos.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.plantsci.2026.112990

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