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A indústria brasileira de cacau encerrou 2025 com forte retração na moagem, refletindo um cenário de demanda enfraquecida e custos elevados da matéria-prima. Segundo dados do SindiDados – Campos Consultores, divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o volume processado somou 195,9 mil toneladas no ano, queda de 14,6% em relação a 2024. Apenas no quarto trimestre, a moagem recuou 13,1%, para 51,8 mil toneladas.
De acordo com a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, o resultado está diretamente ligado à menor demanda por derivados de cacau ao longo do ano. “Os custos elevados da matéria-prima impactaram o ritmo de processamento da indústria”, afirma.
Apesar da queda na moagem, o recebimento de amêndoas apresentou leve recuperação em 2025, totalizando 186,1 mil toneladas, alta de 3,7% frente ao ano anterior. No último trimestre, o avanço foi mais expressivo, de 9,7%, indicando maior disponibilidade de matéria-prima no encerramento do ano — ainda insuficiente, porém, para atender plenamente a demanda da indústria.
No recorte regional, a Bahia manteve a liderança no fornecimento de amêndoas, com crescimento de 5,7% no ano, respondendo por mais de 60% do total recebido. Espírito Santo e Rondônia registraram os maiores avanços proporcionais, enquanto o Pará apresentou queda de 6,3%, reduzindo sua participação no volume nacional.
A retração do consumo interno ficou ainda mais evidente na comercialização de derivados de cacau no Brasil. Em 2025, o volume vendido caiu 18,4%, para 144,9 mil toneladas. Todas as categorias apresentaram queda, com destaque para liquor (-22,9%) e manteiga de cacau (-23,9%), levando a indústria a operar bem abaixo da capacidade instalada.
No comércio exterior, o cenário foi mais equilibrado. As exportações brasileiras de derivados de cacau cresceram 5,4% em 2025, alcançando 53 mil toneladas. A Argentina permaneceu como principal destino, seguida por Estados Unidos e Países Baixos. Segundo a AIPC, a retirada dos derivados de cacau da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos foi decisiva para a manutenção da competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, especialmente no último bimestre do ano.
Já as importações de amêndoas aumentaram 65,2% em 2025, somando 42,1 mil toneladas, concentradas no primeiro semestre. No último trimestre, não houve compras externas, reflexo da queda na demanda por derivados e do ajuste no ritmo de processamento.
No mercado internacional, os preços do cacau recuaram de forma expressiva ao longo de 2025, após os recordes observados no fim de 2024. Segundo a consultoria StoneX, as cotações passaram de níveis acima de US$ 12 mil por tonelada para a casa dos US$ 5 mil ao final do ano. A melhora nas condições climáticas no Oeste Africano e o aumento da produção na América do Sul — com destaque para o Equador, que pode ultrapassar 600 mil toneladas em 2025/26 — ajudaram a aliviar as preocupações com a oferta.
Ainda assim, analistas alertam que o mercado segue cercado de incertezas. Com a demanda global ainda desaquecida e uma estrutura de preços futuros mais estável, a retomada do consumo será determinante para definir o comportamento das cotações ao longo de 2026.
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